PS usa declarações de Assunção Cristas para atacar anterior governo

Carlos Pereira aproveitou uma entrevista de Assunção Cristas para atacar politicamente a própria presidente do CDS-PP e a linha do executivo de Pedro Passos Coelho

O PS usou hoje declarações da líder do CDS-PP, em entrevista ao jornal "Público", para atacar a ação do anterior Governo em relação à banca, com os democratas-cristãos a contraporem com o "caso Sócrates" na justiça.

Neste debate, que foi aberto com uma intervenção do líder do PS/Madeira, Carlos Pereira, pela parte do PSD apenas usou da palavra (a partir das últimas filas) a ex-ministra Paula Teixeira da Cruz, mas não para responder ao teor político da intervenção do deputado socialista.

Paula Teixeira da Cruz interpelou a mesa da Assembleia da República, justificando a sua iniciativa pelo facto de o vice-presidente da bancada do PS ter falado supostamente em "sadomasoquismo" na sua intervenção, tendo pedido, por isso, uma certidão dessas mesmas declarações para "os devidos efeitos que entender por adequados".

Carlos Pereira, que falou em "austeridade obsessiva e quase sádica", aproveitou o teor da recente entrevista concedida por Assunção Cristas, que assistia ao debate, não só para atacar politicamente a própria presidente do CDS-PP, mas, também, e principalmente, a linha seguida pelo executivo de Pedro Passos Coelho em relação ao setor financeiro.

"Perante um rombo de cinco mil milhões de euros, a atual líder do CDS declarou, para todos os portugueses escutarem - sem qualquer rebuço, preto no branco -, que assinou de cruz a resolução para o BES (Banco Espírito Santo) e fê-lo assim, com uma insustentável leveza, porque estava em tempo de férias. Ainda acrescentou que atuou assim porque a senhor ministra Maria Luís Albuquerque, sempre ela, lhe pediu em situação de urgência", referiu o líder do PS/Madeira.

Carlos Pereira disse ainda que Assunção Cristas surpreendeu ao dizer que "no Conselho de Ministros de então não se falava nos problemas da banca".

"O país tem pois o direito de saber quem, por ação mas também por omissão, fez abalar todo o sistema financeiro e fez soçobrar parte dele. Ou seja, quem decidiu nada fazer na aplicação das verbas negociadas para acudir ao sistema financeiro e reestruturar a banca pública e privada", apontou, aqui numa alusão aos 12 mil milhões de euros do programa da 'troika' para recuperar o sistema financeiro.

Com a direção da bancada do PSD em silêncio neste debate, a única resposta contundente partiu da deputada do CDS-PP Cecília Meireles, que pegou na referência a "cortinas de fumo" antes feita pelo deputado socialista.

"Essas cortinhas de fumo arrepiantes de que falou foram as que estiveram na origem de o país cair na bancarrota, ou está a falar dos casos de suspeitas de corrupção e de branqueamento de capitais", questionou, numa alusão ao caso judicial com o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates.

Mas Cecília Meireles deixou ainda outro desafio ao líder do PS/Madeira: "Pense bem sobre quem foram os responsáveis pelos calotes na Caixa Geral de Depósitos, pense bem naquilo que foi a supervisão [do anterior governador do Banco de Portugal] Vítor Constâncio".

Numa linha oposta à da dirigente democrata-cristã, o deputado do PCP Miguel Tiago referiu-se igualmente às declarações proferidas por Assunção Cristas em entrevista ao jornal "Público".

"Ou o CDS está agora a tentar escapar às responsabilidades que teve no anterior Governo, ou então as reuniões dos conselhos de ministros do anterior Governo eram o exato reflexo da forma como se tratavam os problemas da banca. Também há a possibilidade de ambas as hipóteses serem verdadeiras, mas ficou-se sem dúvida a saber que [Assunção Cristas] assinou a resolução que entregava 4,9 mil milhões de euros ao BES sem sequer a ler", criticou Miguel Tiago.

Também Mariana Mortágua atacou a atuação do anterior executivo em relação ao setor da banca, acusando o Governo de Passos Coelho de ter deixado todo o poder em relação à banca para o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que "fez um mau mandato e ainda por cima foi reconduzido".

A seguir, Mariana Mortágua deixou também críticas ao atual PS, dizendo que "tem de responder se Carlos Costa reúne condições para continuar a ser governador do Banco de Portugal" e "se aceita a venda do Novo Banco a um fundo abutre".

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