PS pressiona Parpública para não assinar venda da TAP amanhã

A finalização da venda da transportadora aérea estava agendada para esta quinta-feira

O grupo parlamentar do Partido Socialista, numa carta enviada ao presidente da Parpública à qual a agência Reuters teve acesso, alertou o gestor Pedro Pinto que a venda da TAP seria contrária às intenções da maioria parlamentar constituída pelo PS, PCP e BE.

O processo de finalização da venda da TAP estava agendado para esta quinta-feira, 12 de novembro.

Na carta, lê-se que "a assinatura dos contratos está prevista ocorrer num período em que o Governo se encontra com poderes de gestão", após a votação parlamentar desta terça-feira para rejeitar o programa do executivo de Pedro Passos Coelho.

O grupo parlamentar do PS, que assina a carta, acrescenta: "Consideramos que não estão reunidas as condições legais nem políticas para que se mantenha este processo de reprivatização da TAP". No documento, o PS recorda a sua posição "frontalmente contra a forma como o atual processo de reprivatização tem sido desenvolvido desde o início", reforçando que "não aceita que o Estado não mantenha uma posição de controlo".

Ao jornal Público, a Parpública acusou ter recebido essa carta, mas ainda não prestou outras declarações.

Na terça-feira, o consórcio Gateway, que venceu o concurso de privatização da TAP em junho, disse à TSF que "em princípio" o negócio é fechado quinta-feira e considerou não ser interessante ficar "numa situação minoritária" na transportadora.

A Associação Peço a Palavra, que contesta a privatização da TAP, ameaçou hoje processar a Parpública, empresa pública que conduz o processo de privatização da TAP, se decidir fechar o negócio de venda da companhia aérea ao consórcio Gateway durante esta semana.

"Seria uma provocação [a Parpública concretizar a venda]. Deixo aqui um aviso para que fique claro que não deixaremos de responsabilizar civil e criminalmente quem na Parpública decida avançar com o negócio", afirmou o realizador António Pedro Vasconcelos da associação que tem liderado a contestação à privatização da TAP.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião com o grupo parlamentar do PS, o porta-voz da Associação Peço a Palavra explicou que seria de "uma enorme gravidade" a Parpública fechar a venda da TAP esta semana, uma vez que foi mandatada por um Governo que já não existe e é tutelada por um Governo chumbado.

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