PS fica isolado na defesa do fim aos cortes dos subsídios

Num dia o PSD defende a reposição da totalidade dos financiamentos, no outro recua e diz que quer os cortes permanentes.

PSD fez xeque-mate ao PS e, inesperadamente, veio anunciar que iria apresentar uma proposta de alteração à lei do financiamentos para que os cortes atualmente em vigor no apoio estatal, passassem a ser "permanentes". O PS que tinha vindo, tal como o PSD, a manifestar-se publicamente em defesa do fim dessa "austeridade", através de declarações de dirigentes e até do próprio primeiro-ministro (ver texto ao lado), fica assim isolado. O acordo de princípio que tinha sido noticiado ficou assim sem efeito. BE, PCP e CDS já tinham dito que eram contra o fim dos cortes.

Em comunicado divulgado ontem ao final da tarde, o PSD escreve que não se "revê na posição tornada pública pelo Partido Socialista", acrescentando que "os políticos são fundamentais para a democracia mas devem ser os primeiros a reconhecer a realidade e atuar em função da sociedade em que estão integrados".
Quem assina o comunicado é José Matos Rosa, o secretário-geral que, um dia antes tinha afirmado o seguinte, em declarações à TSF: "Não podemos embarcar em populismos com estas situações nem em falsos moralismos. Estes cortes foram temporários e acabam em dezembro de 2016. E para nós, acabam".

A reviravolta acabou por apanhar de surpresa o próprio líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que em declarações aos jornalistas na assembleia, tinha sido cauteloso, sem assumir a decisão, anunciada apenas alguns minutos depois. Montenegro disse que "se todos os outros partidos tiverem essa disponibilidade, não há de ser pelo PSD que em Portugal não se pode continuar a poupar no volume de meios públicos que é adstrito ao funcionamento dos partidos e das campanhas eleitorais", explicando que "o instrumento mais adequado será alterar a lei do financiamento dos partidos e não introduzir uma norma no Orçamento do Estado para 2017".

O PCP, pela voz do deputado António Filipe, reafirmou a posição dos comunistas: "Tomaremos qualquer medida necessária no sentido de impedir um aumento das subvenções", disse. Recordou que foi o PCP "que se pronunciou pela primeira vez sobre esta matéria". Com Lusa

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.