PS diz que demissão de um secretário de Estado não resolve problemas da Educação

O PS defendeu hoje que a demissão do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, não resolve os "graves problemas" com que a escola pública está confrontada, nomeadamente a colocação de professores.

"Não vem resolver nada relativamente aos graves problemas da educação, da colocação de professores e dos alunos sem aulas", disse à agência Lusa o deputado socialista Acácio Pinto.

O PS encara a demissão como "um facto político relevante", mas entende que "alguns dos problemas criados" só poderiam ser resolvidos com a demissão de toda a equipa governativa do Ministério da Educação.

"Afinal aquilo que demonstraram neste início de ano letivo é uma grande incompetência técnica e política para lidar com a colocação de professores", afirmou o deputado, que integra a Comissão de Educação da Assembleia da República.

O deputado lembrou que passadas seis semanas sobre o arranque do ano letivo continua a haver milhares de alunos sem professores e docentes por colocar.

"Face a um problema de uma gravidade absoluta, haver uma demissão de um secretário de Estado não resolve nada", frisou.

João Grancho, apresentou hoje a demissão - que foi aceite pelo ministro Nuno Crato -, alegando "motivos de ordem pessoal".

A demissão surge no dia em que o jornal Público noticiou que o secretário de Estado, em 2007, e enquanto presidente da Associação Nacional de Professores, plagiou textos produzidos por autores académicos sobre temas como deontologia profissional e formação inicial de professores, dos quais retirou extratos para usar num texto, sem citar os autores.

Os excertos reproduzidos terão estado na base da sua intervenção num seminário que decorreu em Múrcia, Espanha, dedicado ao tema "A dimensão moral da profissão docente".

Na resposta enviada ao jornal Público, o secretário de Estado refutou as acusações de plágio, afirmando que "pretender associar um mero documento de trabalho, não académico, nem de autor, nas circunstâncias descritas, a um plágio, é totalmente inapropriado e sem qualquer sentido".

Em declarações à Lusa, disse que cessa funções por decisão "estritamente do foro pessoal, determinada por imperativos de consciência e de sentido de serviço público".

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