PS desafia Governo a rever posição sobre inglês no 1.º ciclo

O PS desafiou hoje o Governo e a maioria parlamentar PSD/CDS-PP a rever a sua posição sobre o ensino do inglês no 1.º ciclo após o parecer de hoje do Conselho Nacional de Educação (CNE).

"Face a este parecer, a pergunta que se coloca é qual é agora a opinião do PSD e do CDS-PP, que há uns meses votaram contra uma proposta do PS", lembrou a deputada socialista Odete João em declarações à agência Lusa.

A parlamentar referia-se a um projeto de resolução do PS, discutido e votado em outubro, no qual se recomendava ao Governo o ensino obrigatório do inglês no 1.º ciclo e a introdução de uma segunda língua estrangeira.

O CNE, por seu turno, pronunciou-se hoje a favor do ensino do inglês a partir do 3.º ano de escolaridade com uma periodicidade de pelo menos duas horas por semana.

O PS, diz Odete João, tem uma "posição clara" sobre a matéria, que passa obrigatoriedade da oferta de inglês a todas as crianças do 1.º do ensino básico no âmbito das Atividades de Enriquecimento Curricular, passando a integrar o currículo obrigatório deste nível de ensino a partir do ano letivo de 2014-2015.

A posição do CNE sobre a introdução da língua inglesa no currículo do 1.º Ciclo foi hoje apresentada pelo presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC), David Justino, em Lisboa.

Segundo David Justino, mesmo que o ministério adote a recomendação do CNE, a medida não será para o próximo ano letivo.

O parecer foi elaborado com base num relatório técnico, na sequência de um repto lançado pelo ministro da Educação, Nuno Crato, para o CNE se pronunciar sobre o ensino de uma segunda língua no 1.º Ciclo, em resultado de uma alteração ao funcionamento das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) recordou David Justino.

Os conselheiros defendem que, para ensinar inglês, deve ser contratado um professor com habilitações próprias, científicas e pedagógicas, em regime de coadjuvação do professor titular.

De acordo com David Justino, os custos não terão um grande impacto, mas a medida implicará uma reorganização das atividades.

Também os currículos terão de ser reajustados, até ao ensino secundário.

No parecer refere-se que os docentes devem ser especialistas no domínio do "ensino precoce da língua", o que envolve "formação científica e pedagógica, devidamente certificada".

Sobre o programa do Ensino Básico, sugere-se que seja "objeto de ajustamento horizontal, em ordem a uma integração harmoniosa da área da língua inglesa no conjunto das outras áreas".

O CNE optou por recomendar a lecionação do inglês apenas a partir do 3.º ano, para não comprometer a aprendizagem da língua e outros "saberes básicos" nos primeiros anos, explicou.

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