Costa canta vitória e protege Partido Comunista da derrota

Números ainda oficiosos do PS, quando os dados finais do governo ainda não estavam fechados, apontavam para 166 câmaras municipais conquistadas pelos socialistas, mais 16 do que o resultado já de si histórico de 2013. Mas para o secretário-geral do PS, o que interessa mesmo nestas eleições é a derrota do PSD

O líder do PS entrou na sala das conferências de imprensa da sede nacional do partido pelas 23.26. Nessa altura os resultados do site do governo - com 90% das freguesias apuradas - só davam aos socialistas 126 presidências de câmaras (em 2013 teve 150). Mas dados oficiosos do PS apontavam para 166 câmaras conquistadas. Para o líder socialista não havia dúvidas: o PS teve nestas eleições "a maior vitória autárquica da sua história". Ou seja: mais votos do que em 2013, mais presidências de câmara, mais presidências de junta, mais mandatos globalmente - indicando tudo isto que garantidamente manterá as presidências da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e da Associação Nacional das Freguesias (Anafre).

O que interessava ao líder socialista sublinhar é que quem foi derrotado foi "a direita, principalmente o PSD". Questionado sobre o mau resultado do PCP, e a influência, eventualmente nefasta, que isso poderá ter na solução que apoia o governo no Parlamento, António Costa respondia que "há claramente uma derrota [do PSD]". Ou seja, "procurar outras derrotas é desviar do essencial": "A nossa vitória não é a derrota de nenhum nos nossos parceiros." Portanto, o resultado das eleições "reforça o quadro da maioria parlamentar, dando força à continuidade" das políticas que têm vindo a ser seguidas desde o início do funcionamento da geringonça (novembro de 2015).

Quanto ao próximo mandato autárquico - acrescentou - será "marcado pela descentralização" de poderes (um dossiê que aguarda desenvolvimentos no Parlamento). E - insistiu - está na altura de começar a preparar o próximo quadro comunitário, para que o crescimento revelado nesta legislatura tenha sequência numa "década sustentada de crescimento".

Uma candidatura mereceu-lhe uma palavra especial, a de Manuel Pizarro, no Porto, que obteve uma "notável subida". Depois da conferência de imprensa na sede do PS no Largo do Rato encaminhou-se, a pé, para o Hotel Altis, onde o candidato do PS a Lisboa, Fernando Medina, tinha instalado o seu quartel-general eleitoral e celebrava a sua eleição.

À hora do fecho desta edição não era possível ter um quadro final do resultado socialista. Pelas 21.30, Maria da Luz Rosinha, secretária nacional do PS com o pelouro das autarquias locais, fazia questão de revelar aos jornalistas quatro câmaras ganhas pelo PS ao PSD (omitindo ganhos do seu partido à CDU): São João da Madeira, Bombarral, Ansião e Pedrógão Grande (onde a mudança se deu porque o presidente, Valdemar Alves, foi desta vez candidato pelo PS, quando em 2013 o tinha sido pelo PSD).

Contudo, os resultados parciais pelas 23.00 revelam pelo menos nove autarquias que fizeram o percurso oposto, do PS para o PSD. Foram elas Ourém (Santarém), Murça (Vila Real), Terras de Bouro (Braga), Ponte da Barca (Viana do Castelo), Porto Santo (Madeira), Nordeste (São Miguel, Açores), Castro Daire (Viseu), Castanheira de Pera (Leiria) e Celorico da Beira (Guarda). Ou seja: os ganhos do PS parecem ter-se feito mais pela CDU do que pelo PSD.

Pelas 00.38, o site oficial do governo com os resultados indicava 136 presidências de câmara para o PS, um resultado que se traduzia em 39% dos votos (contra 36,2% em 2013), ou seja, cerca de 1,4 milhões de votos (1,8 milhões em 2013). Nas juntas de freguesia, o PS, a essa hora, acumulava 1209 presidências (1282 em 2013), com uma percentagem dos votos a rondar os 37% (34,7% no fim da contagem, há quatro anos).

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