Provas do 4.º ano voltam amanhã mas 90% dos diretores não as aplicam

Nos últimos anos têm sido várias as mudanças nas provas. O DN foi falar com quatro irmãs, todas com histórias diferentes

Seis meses depois de terem sido oficialmente extintas na Assembleia da República, as provas do 4.º ano regressam amanhã mas desta vez sem contar para a nota e com apenas 10% dos diretores a optarem por aplicá-las. O mesmo sucede com os testes do 6.º ano que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, também aboliu, autorizando a sua realização apenas a título excecional e facultativo este ano letivo.

Desde que foram introduzidas pelo ex-ministro Nuno Crato, respetivamente em 2012 e 2013, as provas de aferição do 6.º e do 4,º ano eram realizadas anualmente por 200 mil alunos, tendo chegado a pesar 30% na classificação final das disciplinas de Português e de Matemática. Este ano, deverão abranger - no máximo - um décimo.

Joana, a mais nova das quatro filhas do casal Luís Filipe e Marta Simão, estará entre a minoria de crianças do país que farão ainda as provas do 4.º ano, que desaparecerão definitivamente no próximo ano letivo. A escola Filipa de Lencastre, em Lisboa, onde estudam todas as irmãs, até optou por manter o plano de preparação das provas que tinha delineado antes do arranque do ano letivo - quando se pensava que estas contariam para a nota. Mas não está nada preocupada com o facto de todo esse trabalho não se refletir numa classificação. "Prefiro as provas de aferição", assume. Em certa medida, as quatro irmãs são o testemunho vivo de todas as transformações pelas quais as avaliações externas do ensino básico passaram ao longo dos últimos cinco anos.

Teresa, agora no 6.º ano, foi a única a apanhar os testes do 1.º ciclo introduzidos por Nuno Crato. Admite que ficou nervosa com as provas do 4.º ano mas "correram bem" e não deixaram traumas. Este ano também teria prova do sexto. Mas a escola optou por não a aplicar. Nem sequer como aferição.

Já Maria, a estudar no 8.º ano, ainda fez as provas finais do sexto ano. "Com a Maria houve mais aparato, mais nervosismo", conta a mãe, que se recorda de negociar "cromos por horas de estudo" para manter a filha agarrada aos livros.

Francisca, a mais velha, a estudar no 10.º ano, estreou-se no ano passado em avaliações externas com efeitos na nota - as provas do 9.º ano, as únicas que o atual governo manteve no ensino básico.

Os pais têm sentimentos mistos em relação às mudanças implementadas este ano nas avaliações. Por um lado, admite Marta, estão mais "descontraídos" em relação aos testes. Por outro, valorizavam o apoio adicional que a escola dava em anos de provas. "Eu gosto mais da preparação mais orientada", admite a mãe. "Tendo quatro filhas, nós somos obrigados a andar mais em cima". "A verdade é que três delas fizeram exames e não veio daí nenhum mal", acrescenta o pai, Luís Filipe Simão.

Maioria das escolas mudam já

As provas de aferição do 4.º e 6.º ano decorrem, em datas a definir pelas escolas que optaram por mantê-las, entre esta segunda feira e 3 de junho. Já as novas provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade, abrangendo as disciplinas de Português, Matemática e Estudo do Meio (1.º ciclo) realizam-se nos dias 6 e 8 de junho. Também eram opcionais mas, de acordo com dados divulgados em abril pelo ministério, 57% dos diretores optaram por aplicá-las já.

No ano passado, pela primeira vez desde que se começaram a realizar provas finais do 4.º e 6.º anos com efeitos nas notas, as médias foram todas positivas. Durante a vigência destas avaliações externas não houve evidência de melhorias nas aprendizagens e os chumbos aumentaram no básico.

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