Protesto. O dia em que Alcobaça teve zero multas

No dia 24 de agosto várias cidades do país viram reduzidas as contraordenações ao mínimo. Resultado da "greve às multas" da PSP.

"Quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar", refere a letra de uma antiga canção. Na segunda--feira, quem por lá passou encontrou um novo motivo para voltar: zero multas de trânsito. Leu bem, zero. No dia 24 de agosto do ano passado foram passadas 20 multas naquela cidade do distrito de Leiria conhecida pelo seu mosteiro. Tem sido essa a média habitual de contraordenações dos polícias da esquadra da PSP de Alcobaça. Mas não nesta segunda-feira, o primeiro dia de uma greve às multas decretada por quatro sindicatos da PSP (entre eles, o maior é a ASPP-PSP), que terá tido uma adesão de "80% a 90% do efetivo", como estima Mário Andrade, do Sindi-cato dos Profissionais de Polícia (SPP). "Em 23 mil agentes em todo o país - efetivo que inclui o pessoal administrativo -, terão aderido 16 mil ao protesto", sublinha.

O DN teve acesso a mais dados de balanço do protesto no distrito de Leiria que ilustram, à sua escala, o que poderá ter acontecido em outras zonas do país. Assim, a esquadra das Caldas da Rainha passou apenas uma multa quando a média naquele dia é de 35 a 40 coimas. Na Nazaré foram levantados dois autos de contraordenação quando a média é de 70 a 80: um deles foi a um condutor por álcool a mais no sangue numa situação de acidente de viação, e outro a um turista estrangeiro que estacionou no parque da PSP.

Em Peniche, os agentes passaram quatro multas num dia em que a média é de 40 a 50.

Em Lisboa, Porto e Faro a redução das multas foi na ordem dos 70%, em média, adiantou fonte sindical. Um dos agentes que aderiram ao protesto na capital passou ontem uma única multa a um condutor por falta de inspeção do automóvel. Fê-lo apenas porque o automobilista estava a pôr em causa a sua segurança e a de terceiros. Se o Conselho de Ministros não aprovar o estatuto das forças de segurança amanhã, esta greve às multas da PSP vai prolongar-se até ao final de setembro, sendo acompanhada por manifestações.

O DN sabe que pequenas operações stop, em que os agentes mandam parar sete a 20 carros, não estão a ser feitas em Lisboa. Apenas são realizadas as que forem ordenadas pelos comandos em locais estratégicos.

GNR na universidade do PSD

Na GNR, as quatro associações profissionais da Guarda que assinaram o memorando com o governo (APG, ANAG, ASPIG e ANOG) estão a planear enviar alguns elementos de bandeiras em riste, no próximo domingo, para o encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, coincidindo com a presença no local do líder do partido e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Também estas associações incentivaram anteontem os 23 mil militares da GNR a fazerem uma greve às multas, como na PSP, mas pelo que o DN soube esse apelo ainda não teve muito eco porque o efetivo quer esperar por quinta-feira para ver se o estatuto profissional é aprovado. Mas também já decidiram que vão fazer várias ações de protesto em vários momentos durante a campanha eleitoral.

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