Protesto contra a discriminação frente à embaixada

Cerca de três dezenas de pessoas manifestaram-se hoje em frente à Embaixada da Federação Russa, em Lisboa, em protesto contra as leis russas que discriminam os homossexuais e lamentaram o retrocesso europeu em matéria de direitos humanos.

Sem cartazes, nem palavras de ordem, mas empunhando as bandeiras do arco-íris que simbolizam o movimento LGBT (de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero), ativistas de várias organizações responderam ao apelo internacional "Global Kiss-In. To Russia With Love" que juntou mais de 50 de cidades contra as violações dos direitos humanos na Rússia.

Sérgio Vitorino, do coletivo Panteras Rosas, teme que o problema se agrave e alertou para o facto de outros países de leste, como a Moldávia, Ucrânia e Letónia, se estarem a preparar para seguir o exemplo russo, fazendo dos homossexuais "os bodes expiatórios" da crise.

"As sociedades procuram bodes expiatórios quando não encontram soluções políticas", sublinhou, acrescentando que esta iniciativa serve para dar visibilidade ao tema.

"Putin não vai voltar atrás, mas não vai fazer isto sem que se saiba que ele é um ditador e que não há direitos humanos na Rússia", salientou Sérgio Vitorino

O presidente russo, Vladimir Putin, promulgou, em junho, uma lei contra a propaganda homossexual e, um mês depois, uma outra lei que proíbe a adoção de crianças por casais homossexuais.

A escritora e guionista russa dedicada aos temas LGBT, Margarita Sharapova, que se viu obrigada a sair da Rússia e pediu asilo político a Portugal em agosto, juntou-se também à iniciativa.

Alexandre Iourtchenko, que traduziu as palavras da escritora, explicou que Margarita Sharapova foi alvo de "um ultimato" devido ao seu trabalho e chamou a atenção para o facto de nos últimos três meses cerca de duas dezenas de ativistas terem abandonado a Rússia e pedido asilo a países ocidentais, alegando serem vítimas de perseguição política.

"Esperamos que Portugal possa salvar a literatura LGBT russa", apelou Margarita Sharapova, que aguarda uma resposta do Governo português ao seu pedido.

Sérgio Vitorino destacou que o movimento LGBT português reivindica que seja reconhecido o direito de asilo em função da orientação sexual, o que ainda não acontece.

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