Programa que combate cegueira em África distinguido

O Programa Africano de Controle da Oncocercose (APOC), uma das principais causas de cegueira evitável, venceu o Prémio António Champalimaud de Visão 2011, um galardão que, para os seus responsáveis, homenageia todos os que, diariamente, trabalham no terreno

Conhecida como a "cegueira dos rios", a oncocercose é uma doença parasitária transmitida aos humanos pela picada da mosca preta, especialmente junto aos rios e outras linhas de água.

Nos últimos 15 anos, a APOC - que recebe hoje o galardão na Fundação Champalimaud - coordenou mais de uma centena de programas de combate a esta doença.

Uma das fundadoras da APOC, Uche Amazigo, considera que o galardão - o maior prémio do mundo na área da visão, no valor de um milhão de euros - homenageia "todos os homens e mulheres que diariamente estão no terreno a combater a doença".

"Estou mesmo emocionada, pelo Programa e, em particular, pelas comunidades. No meu coração, acredito que merecem ser premiados e ficaram muito felizes quando lhes informei que a Fundação Champalimaud lhes atribuiu um prémio. São pessoas que têm trabalhado muito nos últimos 15 anos", disse à Agência Lusa.

Para Uche Amazigo, "os medicamentos podem estar lá, o dinheiro pode estar lá, mas sem a cooperação entre as pessoas, o Programa jamais atingiria o tremendo sucesso que alcançou".

Este um prémio, na sua opinião, "para as pessoas pobres, de reconhecimento do seu trabalho e de encorajamento para fazerem ainda mais".

A especialista sublinha que "estas pessoas sofrem de cegueira, são ignoradas pelos políticos e pelos governos": os serviços de saúde, acrescentou, "nunca chegam às suas aldeias". Este programa "encoraja os ministros da Saúde e as organizações não governamentais para que se desloquem até onde vivem os doentes que não são servidos pelos serviços de saúde", explicou.

Para o director da APOC, o congolês Paul-Samson, o prémio que hoje receberá enche de "orgulho" a organização que dirige.

"Estamos muito felizes porque é o reconhecimento pelo esforço que as comunidades estão a fazer em África pelo controlo da oncocercose", disse à Lusa.

Este prémio vai ainda "ajudar a que a doença não seja esquecida, graças à atenção que vai receber" da comunidade internacional.

Paul-Samson explicou que a APOC "trabalha onde normalmente não existem profissionais de saúde, em comunidades que estão muito longe, perto do fim da estrada, para levar medicamentos e ajudá-los a controlar a doença".

O especialista acredita que o prémio vai ajudar o programa e todos os parceiros a verem que "o trabalho que a APOC está a fazer é bom, efetivo e está a ajudar as comunidades", bem como a continuarem a apoiar.

"Precisamos de apoio para continuar a trabalhar para controlar a doença e, eventualmente, eliminá-la", alertou.

Dados da Fundação Champalimaud indicam que, em 2010, a APOC tratou 73 milhões de pessoas, protegendo mais de 120 milhões de pessoas em risco.

"A APOC pôs em prática um método de distribuição de medicamentos, através do envolvimento das comunidades na administração do medicamento, levando às regiões mais pobres e distantes ajuda e esperança", refere a organização.

Esta é a quinta edição do Prémio António Champalimaud de Visão. O júri do prémio é constituído por cientistas internacionais e figuras públicas proeminentes envolvidas na luta contra os problemas dos países em vias de desenvolvimento.

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