Profissional da comunicação entra na campanha do PS

Um dos principais especialistas portugueses em comunicação política, Luís Paixão Martins, está prestes a, de novo, começar a colaborar com  o PS. Será ele o responsável pela imagem da candidatura de José Sócrates  a primeiro-ministro. O DN faz o balanço das guerras entre o Governo e as corporações. O PSD vai reunir segunda-feira o seu Conselho Nacional.

Até agora a comunicação política da maioria PS tem sido feita pela prata da casa: o próprio José Sócrates, o ministro Pedro Silva Pereira, Luís Bernardo (assessor de imprensa), Almeida Ribeiro (assessor político) e outros, como Augusto Santos Silva. As empresas só têm entrado para a tradução concreta da comunicação: design, organização de comícios, produção de outdoors, etc.

Mas dentro em breve uma nova voz passará a ser ouvida de forma permanente na entourage do primeiro-ministro e secretário-geral do PS: a do especialista em comunicação Luís Paixão Martins, dono de uma das principais empresas do sector em Portugal (LPM Comunicação). Irá organizar a imagem do partido e do seu líder, aconselhando também nas mensagens, tendo em conta, por exemplo, sondagens qualitativas. A LPM Comunicação tem no seu currículo na comunicação política a campanha vencedora de Cavaco Silva nas eleições presidenciais de 2006 e a da maioria absoluta do PS, em 2005.

O organigrama essencial da campanha do PS já está definido. Vieira da Silva será o coordenador geral; João Tiago Silva (actual secretário de Estado da Justiça) o porta-voz; António Vitorino irá coordenar a preparação do programa eleitoral; Carlos Zorrinho (coordenador do Plano Tecnológico) já está à frente do site www.socrates2009.pt. Os pivots operacionais que articularão tudo isto serão Luís Bernardo e o jovem André Figueiredo, funcionário do PS, eleito após o último congresso do partido para o secretário nacional, chefe de gabinete de Sócrates no partido.

Nenhum profissional da comunicação política esteve por detrás da evolução recente de Sócrates a favor de uma pose mais "humilde". Foi a conclusão inevitável do próprio, e do seu núcleo duro, após a derrota nas Europeias.

Paulo Pedroso, deputado do PS, considerou ao DN que foi uma "resposta adequada" ao "sinal" dado pelos eleitores. Mas avisa: "A haver artificialidade será notada. Para já, parece-me genuíno."

João Tocha, especialista em comunicação política - trabalha para vários partidos na sua F5C (First Five Consulting) - considera, pelo seu lado, que nada há de propositado na suavização de Sócrates: "Está num período de distensão semelhante ao dos atletas de alta competição após uma prova".

O politólogo André Freire, do ISCTE, afirma que "o reconhecimento do erro é bom". Acrescenta, porém, que os seus "efeitos poderão ser muito limitados". Isto dado o "lastro" de Sócrates nos últimos quatro anos e meio. "Não é a três meses das eleições que se vai apagar tudo", diz o politólogo: "As pessoas não são estúpidas." Freire sublinha que os eleitores votam olhando para trás; e que há estudos provando que é muito forte a rejeição à ideia de maioria absoluta. Os eleitores, diz, são muito mais adeptos de alianças do que de governos de maioria absoluta monopartidária. E isto prejudica o PS, que não tem no horizonte, caso vença só com maioria relativa, a perspectivas de coligações de governo, nem à esquerda nem à direita.

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