Professores contratados dizem que prova de avaliação de docentes "ignora o essencial"

O presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados defendeu hoje que os resultados da prova de avaliação dos docentes "ignoram o essencial", podem ter "um efeito perverso" e não dignificam a classe.

"Acabamos por relevar para segundo plano a questão do número de reprovados ou aprovados, porque consideramos que esta prova ignora o que é essencial na ação do próprio professor, da ação docente, e não se integra num processo global de formação, da formação inicial dos professores até à formação contínua", salientou o representante daqueles profissionais.

César Israel Paulo falava à agência Lusa a propósito dos resultados da prova de avaliação dos professores, realizada em dezembro passado, na qual reprovaram quase 35% dos 2.490 docentes inscritos, que entregaram um exame válido, enquanto 290, ou cerca de 11% do total, obtiveram a sua segunda reprovação.

Os dados foram hoje divulgados pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) e constam de um relatório com os resultados obtidos na prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC), para a qual estavam inscritos 2.863 candidatos, mas da qual apenas foram validadas 2.490 provas.

"Esta prova por si só, e utilizando as palavras do próprio conselho científico do IAVE, não é válida nem é fiável", segundo o presidente da Associação.

Para César Paulo, os números hoje divulgados mostram que a prova "pode ter um impacto perverso" e está a retirar do sistema professores que podem não ter passado, mas "podiam passar perfeitamente com resultados até altos na parte científica e numa possível parte pedagógica, que a prova não contempla" e deveria contemplar.

"Não deixa de ser estranho que este Ministério tenha retirado a possibilidade dos professores contratados serem avaliados na sala de aula e temos muito receio que esta prova venha a afastar bons profissionais do sistema de ensino", acrescentou.

Por outro lado, apontou que "não deixa de ser curioso que mesmo esses 30 e tal por cento de professores que possam ter reprovado nesta prova, possam dar aulas no resto da Europa ou no resto do mundo".

Um relatório como o que o IAVE tornou público, "com todo este pormenor, não dignifica a classe nem a própria estrutura de tutela que regulamenta toda a formação" dos docentes, concluiu o presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados.

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