Problemas de acesso e reforma hospitalar marcam a pasta

População continua a lidar com a falta de médicos de família e com barreiras no tratamento.

Acesso. Os grande problemas e desafios com que o novo ministro da Saúde se irá deparar são muito relacionados com questões de acesso: acesso a médico de família e consultas nos cuidados de saúde primários, a tratamentos inovadores nos hospitais e aos prescritos nas farmácias, a transportes e a cirurgias no tempo clinicamente desejável.

Desde logo, o acesso a um médico de família será um dos maiores desafios para Adalberto Campos Fernandes. Paulo Macedo, o ex-ministro, já tinha prometido que todos os portugueses teriam médico até ao final da legislatura, mas afinal ainda há pelo menos um milhão sem acesso a médico de família.

O seguimento de doentes crónicos neste nível de cuidados será uma das apostas, também até agora difícil de trabalhar sem um recurso demasiado recorrente aos hospitais. A descentralização dos cuidados de saúde será, naturalmente, um passo a dar, levando os doentes para os cuidados de proximidade, investimento na realização de exames e análises nos centros de saúde.

O acesso a tratamentos e a medicamentos também tem sido vedado a boa parte da população. Um estudo da Deco reflete isso mesmo, seja porque falta dinheiro para medicamentos, transportes ou porque as taxas moderadoras têm sido uma barreira para uma parte da população. A análise refere mesmo que metade da população tem sido afetada.

Uma outra reforma difícil é a dos hospitais, já alvo de vários estudos e análises. Mas até agora, as alterações foram superficiais. A ambição será aplicar um modelo semelhante aos das unidades de saúde familiares (USF), aos hospitais, com um modelo de gestão associado aos incentivos por desempenho. O modelo das parcerias público privadas na saúde será ainda avaliado. Sobre ele, Adalberto Campos Fernandes terá um conhecimento aprofundado, até porque apresentou recentemente uma tese de doutoramento sobre o tema.

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