Presidente do Santander contra desmantelamento do Novo Banco

António Vieira Monteiro defende que o comprador do banco deve assumir "compromissos relativamente ao desenvolvimento da instituição"

O presidente do Santander Totta está contra a compra do Novo Banco por uma entidade, cujo objetivo seja o desmantelamento, considerando melhor para a economia nacional a existência de instituições fortes.

"Para mim, o mais importante não é quem compra, é que quem compra ponha o banco a funcionar. Se amanhã um fundo comprar o banco e o puser a funcionar e passar a ser outra vez a grande instituição que era, nada tenho a opor", disse António Vieira Monteiro, na apresentação de resultados do banco que integra o grupo espanhol Santander.

Pelo contrário, afirmou: "Se amanhã compra o banco e vende o banco aos bocados, pois aí já terei qualquer coisa a dizer, para mim já é importante".

Para Vieira Monteiro, o importante é que o comprador assuma "determinados compromissos relativamente ao desenvolvimento da instituição" e que "cumpra as regras europeias e as nacionais".

O presidente do Santander Totta sublinhou não estar a falar em benefício da instituição que representa, mas em defesa da economia nacional, que poderá sair prejudicada com uma venda de ativos ou desmantelamento do Novo Banco.

"O que interessa [para a economia nacional] é ter uma concorrência grande", disse.

O processo em torno da venda do Novo Banco tem sido difícil. Em setembro de 2015, foi cancelado o primeiro processo de alienação, com o Banco de Portugal a considerar que nenhuma proposta apresentada era interessante.

Já no início de 2016 arrancou o segundo processo, tendo as autoridades portuguesas até agosto de 2017 para encontrar comprador, por acordo feito com a Comissão Europeia.

No final de 2016 foi noticiado que, entre os concorrentes, o fundo chinês Minsheng tinha a melhor proposta financeira mas não apresentou provas de que conseguiria pagar o montante oferecido, devido às restrições de movimentação de divisas na China, tendo passado para a frente das negociações o fundo norte-americano Lone Star.

A imprensa escreveu que a Lone Star oferece 750 milhões de euros mas que exige uma contragarantia do Estado português até aos 2,5 mil milhões de euros.