Prejuízos em Albufeira "já ultrapassaram milhões de euros"

Avaliação total ainda não está feita. Autarquia revelou prejuízos de apenas um terço dos comerciantes.

Os prejuízos contabilizados por 100 dos perto de 300 comerciantes de Albufeira afetados pelas cheias registadas há uma semana ultrapassam os milhões de euros, disse hoje à Lusa a vereadora da Câmara de Albufeira, Ana Vidigal.

"Já ultrapassaram os milhões de euros. Há de facto prejuízos muito elevados", disse a vereadora com o pelouro da Proteção Civil daquele concelho algarvio que a 01 de novembro viu várias áreas mais litorais e baixas do território inundadas.

Hoje, a zona comercial perto da praia dos pescadores, uma das mais afetadas pelas cheias, era percorrida por turistas e curiosos que assistiam aos trabalhos de limpeza que prosseguem pelas mãos de técnicos da autarquia, pelos comerciantes e seus funcionários, pela Proteção Civil, por voluntários e algum apoio de outras autarquias algarvias.

A maior parte da lama já foi retirada e muitos dos trabalhos realizados são agora de limpeza de estabelecimentos e de tentativas de recuperação de alguns materiais, mas prosseguem ainda trabalhos de remoção de lamas de algumas garagens onde permanecem veículos.

Perdi praticamente tudo

Entre os voluntários, estão os escuteiros e no último sábado a zona contou com a colaboração de cerca de 120 elementos de agrupamentos de Tavira e Lagos, explicou a Chefe dos Escuteiros de Albufeira, Maria José Leote.

Aos 76 anos, Alice Guerreiro, proprietária de três lojas de artesanato em Albufeira e instalada desde 1993 contou que os prejuízos que sofreu são "avultadíssimos".

"Perdi praticamente tudo. Ainda não consigo contabilizar o que me ficou e o que foi", disse garantindo que apesar da idade e do prejuízo não vai desistir e que assim que os acessos estejam livres e transitáveis irá prosseguir com os trabalhos para reabrir ao público.

Admitindo reabrir dentro de 15 dias, Alice explicou: "Vamos começar a trabalhar com o que temos e vamos caminhando assim".

Carlos Silva e Sousa vincou que além deste trabalho direto nas áreas afetadas há um trabalho de análise e avaliação que vai decorrer para perceber quais as medidas que podem ser implementadas para minorar ou evitar igual impacto em situações semelhantes.

"Isto aconteceria sempre porque a natureza quando fala, fala sempre mais alto. Só não aconteceria se não houvesse aqui urbanismo. Mas de qualquer maneira isto é um leito de cheia, haveria sempre aqui uma cheia", comentou.

Numa zona alta, onde funcionavam umas escadas rolantes, agora avariadas, está hasteada a bandeira do município, uma iniciativa que o presidente da Câmara de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, disse à Lusa ter sido colocada propositadamente para dar ânimo e mostrar a força das pessoas do concelho.

"Há aqui um processo muito forte de autoestima dos albufeirenses, de pensarmos que temos de devolver à nossa terra o seu brilho natural de sempre que atrai gente de todo o lado", observou garantindo que a tradicional festa de passagem de ano vai realizar-se naquele local.

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