PR à margem de polémicas vende "oportunidades"

Cavaco pede paciência a empresários em Luanda. Tensão política ficou em Lisboa.

A mais de cinco mil quilómetros de distância de Lisboa, a polémica em volta da revisão constitucional proposta pelo PSD, ou das ameaças de crise política em torno do próximo Orçamento, passa ao lado do Presidente da República. Pelo menos, oficialmente.

Em Angola, Cavaco Silva ainda não disse uma palavra sobre o assunto que tem aquecido o país em termos noticiosos. E até agora, os jornalistas nem sequer conseguiram chegar directamente à fala com o chefe de Estado, que se tem desdobrado em contactos com empresas portuguesas aqui fixadas e em discursos que fazem a apologia do investimento em Angola.

Longe do epicentro político, Cavaco aproveita assim a oportunidade de estar em Luanda para se resguardar publicamente das questões que animam a comunicação social. Em contrapartida, coloca todos os esforços na dita visão estratégica que o traz ao encontro de José Eduardo dos Santos, presidente angolano.

Ontem, num discurso dirigido à comunidade portuguesa em Luanda, deixou a garantia de que conseguiu chegar a acordo ("em conversações com os mais altos dirigentes angolanos") para a criação de uma "comissão bilateral que vai analisar as dificuldades que têm surgido" no caminho dos portugueses em Angola.

"Bem sei que alguns de vós têm queixas a apresentar" - começou por dizer - "empecilhos burocráticos que enfrentam, demoras na resolução de alguns problemas...". Como quem pede paciência, Cavaco frisou que esses temas estão a ser tratados e recuperou o 'eldorado': "Este é um país de oportunidades".

Jorge Coelho - que de manhã tinha tido o Presidente ao lado a inaugurar um investimento da Mota-Engil de 35 milhões de euros, a fábrica de tijolos Novicer - avisa, no entanto, que trabalhar em Angola "não é fácil". E, por isso, deixa o conselho aos empresários: "Se têm dificuldades financeiras em Portugal, não venham para cá".

As perspectivas, realça o ex-ministro, têm de ser sempre de médio e longo prazo e nunca de lucro imediato. E, por último mas não menos importante, "é preciso escolher os parceiros certos": 49% do capital da Mota-Engil Angola pertencem à Sonangol e ao BPA, os restantes 51% estão nas mãos da empresa-mãe.

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