Portugueses intoxicados por químico usado por nazis

Quatro engenheiros portugueses ficaram feridos durante uma operação de fumigação num estaleiro da construtora portuguesa Opway, na província de Gaza, no sul de Moçambique, disse hoje à Lusa o diretor geral da empresa, Luís Leite Pinto.

O incidente ocorreu após uso de um inseticida altamente tóxico, que levou à hospitalização de seis engenheiros envolvidos na fiscalização da empreitada.

Um dos feridos graves, alegadamente por fosforeto de alumínio - um inseticida altamente tóxico, usado nas câmaras de gás nazis para extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial -, é uma portuguesa que já foi transferida para a África do Sul.

"Estão todos bem de saúde, menos uma técnica que está neste momento hospitalizada na África do Sul". O seu quadro clínico demonstra "um prognóstico reservado", disse à Lusa Luís Leite Pinto.

Uma equipa da direção de saúde da Opway foi destacada para Moçambique para, juntamente com as autoridades moçambicanas, apurar as causas da "ocorrência muito lamentável", disse o diretor geral da construtora portuguesa responsável pela conceção e reabilitação do troço rodoviário Caniçado-Chicualacuala, em Gaza.

O jornal Savana, editado em Maputo, escreve na sua última edição que "a operação de fumigação foi feita, na tarde de quinta-feira, 17 de janeiro, nos dormitórios do pessoal da fiscalização da obra, no estaleiro de Pelane, distrito de Chókwè, com recurso a um produto químico (fosforeto de alumínio) altamente tóxico".

"Um engenheiro químico consultado pelo Savana fez notar que o fosforeto de alumínio (AlT) é um fumigante/pesticida altamente perigoso quando não é manuseado devidamente. A inalação deste produto provoca danos no fígado, rins, pulmões e afeta o sistema nervoso e circulatório. Dado o seu grau letal foi utilizado nas câmaras de gás nazis para extermínio dos judeus durante a II Guerra Mundial", escreve o jornal.

Confrontado com a informação, Luís Leite Pinto escusou-se a comentar o tipo de substância utilizada, remetendo qualquer esclarecimento para a comissão de inquérito criada para investigar o acidente.

O Savana refere que dos cinco engenheiros intoxicados, quatro são portugueses afetos à Secon/Consulgal, um consórcio encarregado da fiscalização da obra levada a cabo pela Opway, enquanto outro engenheiro trabalha na Administração Nacional de Estradas de Moçambique.

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