Portugal em ofensiva diplomática para instalar COI em Lisboa

Mário Soares, João Gomes Cravinho e Manuel Maria Carrilho dão esta semana rosto a uma ofensiva diplomática em Paris para levar a Conferência Oceanográfica Intergovernamental (COI) para Lisboa.

O ex-Presidente da República, o actual secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e o ex-ministro da Cultura procuram convencer os responsáveis da COI e da UNESCO a transferir para Lisboa o secretariado da agência oceanográfica.

Além dos argumentos históricos, Portugal oferece à COI uma contribuição de 1,5 milhões de euros e um edifício em Lisboa, revelou hoje João Gomes Cravinho à Agência Lusa em Paris.

"O que propomos à COI é que, vindo para Lisboa, lhes damos um edifício com condições muito dignas para albergar a instituição", explicou.

Sem querer desvendar de que edifício se trata, João Gomes Cravinho adiantou que "é um edifício com ligações ao mar que não tem tido uma utilização muito significativa".

A "forte candidatura" portuguesa, acrescentou o secretário de Estado, apoia-se também na realização da Expo98 e no relatório sobre os oceanos apresentado nesse ano às Nações Unidas por Mário Soares.

O ex-Presidente deslocou-se também em Paris para reforçar a ofensiva diplomática portuguesa, mas também para lembrar que "pouco foi feito" do que estava preconizado no relatório da Comissão Interdisciplinar sobre os Oceanos.

"Foram muito boas palavras, toda a gente aceitou e achou muito bem e depois nada se fez, como é o costume. É como nos Objectivos do Milénio. São textos para dar satisfação às pessoas mas nada de concreto se passa a seguir", acusou Mário Soares em declarações à Lusa em Paris.

A presença de Mário Soares e João Gomes Cravinho, que participam na ronda ministerial da COI sobre governação dos oceanos, conclui o trabalho que, nos últimos meses, tem sido feito a nível da UNESCO pelo representante de Portugal.

"A COI é a agência mais substancial da UNESCO e a que tem maior densidade de peritos", resumiu à Lusa o embaixador português junto da organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas.

A transferência do secretariado técnico da COI significaria a instalação imediata em Lisboa de uma equipa de cerca de 40 pessoas, salientou o ex-ministro da Cultura.

Manuel Maria Carrilho assumiu a intenção de Portugal receber o secretariado da COI na última assembleia geral da instituição, realizada em Junho.

Hoje mesmo, após a sua intervenção na ronda ministerial, João Gomes Cravinho terá contactos com os responsáveis pela COI, com o director-geral cessante da UNESCO e com a embaixadora Irina Bukova, da Bulgária, que será nomeada dia 15 para a chefia da organização.

"A COI está numa encruzilhada e numa situação de algum paradoxo", afirmou João Gomes Cravinho.

"Todos reconhecem a importância cada vez maior da COI porque a governação global para questões como os oceanos requer uma coordenação muito mais efectiva e isso tem que passar pela organização que é a COI", que, no entanto, luta com falta de recursos, explicou.

"Estamos a fazer um contributo muito significativo para superar este paradoxo", disse.

Quanto ao montante da contribuição portuguesa, "é não apenas um importante investimento para uma agência fundamental no actual momento, mas trata-se de um investimento de retorno imediato para Portugal", frisou.

"Estou confiante de que vamos conseguir trazer para Lisboa mais uma instituição internacional. Já lá temos a Agência Marítima Europeia e começamos a formar um 'cluster'" de organizações, concluiu o secretário de Estado.

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