Portugal em negociações para venda de caças F-16 à Bulgária

Processo envolve aviões comprados aos EUA e modernizados em Portugal e será decidido nos próximos meses.

Governo e Força Aérea têm-se reunido nas últimas semanas para estudar a concretização da venda de caças F-16 à Bulgária, num processo que envolve a compra dos aparelhos aos EUA, soube o DN.

"Está atualmente a ser avaliada a possibilidade de Portugal, juntamente com os Estados Unidos e as respetivas indústrias, como a OGMA e a Lockheed Martin [fabricante dos F-16], poderem corresponder" ao interesse da Bulgária, país do Leste europeu que aderiu à NATO em 2004, informou o Ministério da Defesa.

"Estima-se que no próximo trimestre haja uma decisão sobre a forma como Portugal poderá continuar a apoiar a edificação de capacidades associadas ao sistema de armas F-16 MLU junto de países nossos aliados", adiantou a tutela.

A Bulgária, que há alguns anos quis comprar os nove caças a alienar por Portugal que acabaram por ser vendidos à Roménia, reafirmou no final de 2015 o seu interesse em adquirir aviões a Lisboa.

Com o processo de modernização dos F-16 para a Roménia em curso, que envolve a formação de quadros (pilotos e técnicos) e a edificação de infraestruturas, a Força Aérea não tem capacidade para entrar já noutro programa similar, referiram fontes militares.

A posição do Ministério vai no mesmo sentido: o processo "terá de considerar a operacionalidade da Força Aérea e o contrato efetuado com a Roménia, os quais não poderão, naturalmente, ser afetados."

Contudo, a natural demora na concretização do negócio tripartido - que por isso "não é fácil de concretizar", admitiu uma das fontes - e a conclusão em finais de 2017 do que está em curso, com a Roménia, deverá permitir a Portugal avançar para o novo projeto, admitiram algumas das fontes ouvidas pelo DN.

Certo é que o interesse búlgaro e dos EUA traduz também "o elevado know-how nacional nesta área e o reconhecimento do trabalho e da formação que é ministrada, nomeadamente através da Força Aérea", enfatizou a tutela.

Note-se que Portugal tem apostado na criação de um cluster aeronáutico no país capaz de atrair investimento estrangeiro, o qual abrange tanto a área militar (com envolvimento direto das oficinas da Força Aérea) como a civil, também através da OGMA e que inclui as fábricas da construtora brasileira Embraer em Évora.

A concretização do programa com a Bulgária seguiria os moldes do que está em curso com a Roménia: face às dificuldades legislativas dos EUA em vender equipamento militar diretamente aos países do extinto Pacto de Varsóvia, foi Portugal a assumir a aquisição de três F-16 para posterior modernização antes da sua entrega a Bucareste.

Recorde-se que o contrato com a Roménia foi assinado em 2013, estando atualmente sete dezenas de quadros romenos - pilotos, engenheiros, técnicos de manutenção e logística - a receber formação na base aérea de Monte Real.

Quanto aos aparelhos, já há vários pintados com as cores da Força Aérea romena (na OGMA) e os primeiros seis serão entregues "após o verão". Os últimos três F-16 estarão pontos no final do próximo ano, confirmou o Ministério.

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