Porto é o campeão das quebras populacionais

O delegado do Instituto Nacional de Estatística (INE) no Porto destacou quinta-feira que a Região Norte teve um crescimento demográfico "irrelevante" na última década e "o Porto perdeu qualquer coisa como 26 mil pessoas".

A população portuguesa cresceu 1,9 por cento entre 2001, ano em que foi feito o anterior recenseamento geral, e 2011, situando-se acima dos 10,5 milhões de indivíduos.

A estagnação demográfica atinge particularmente o interior, onde alguns municípios mantiveram "decréscimos elevados", sobressaindo aqui Trás-os-Montes e o Douro.

Nessas zonas, "continua a saída", segundo Pedro Remelhe.

Na zona litoral, o Alto Minho surpreende porque "já há municípios a registar quebras demográficas, quando há dez anos não as registavam".

Na Área Metropolitana do Porto (AMP), o crescimento populacional ficou também "abaixo da média nacional, com 1,4 por cento, o que talvez, à partida, não fosse expectável", notou o mesmo responsável, que hoje proferiu uma conferência na Universidade Lusófona do Porto sobre o Censos 2011.

Pedro Remelhe deu alguns "breves apontamentos metodológicos" e apresentou depois uma "síntese dos resultados preliminares" do Censos 2011.

Se a AMP tivesse hoje a mesma área geográfica que há dez anos estaria dentro da média nacional, mas entretanto passou a integrar mais sete municípios, o que se repercutiu no seu desempenho populacional geral.

Municípios como Arouca e Oliveira de Azeméis "registaram efectivas descidas" na sua população.

Na AMP, "o Porto enquanto município" tem o pior indicador metropolitano, sendo "claramente" o campeão das quebras populacionais.

Já tinha perdido mais de 13 por cento da população entre 1991 e 2001 e a tendência manteve-se nos dez anos seguintes, ainda que a um ritmo inferior -- 9,7 por cento --, de acordo com o delgado do INE-Porto.

Pedro Remelhe precisou que o município portuense "perdeu qualquer coisa como 26 mil pessoas", mas acrescentou que o decréscimo "até ficou acima das estimativas".

O responsável prognostica que, neste capítulo, o Porto "ainda vai demorar um tempo até chegar àquele ponto de equilíbrio e, quem sabe, de inversão" da actual recessão demográfica.

Ao contrário, Matosinhos cresce, tal como Vila Nova de Gaia também, tendo hoje mais de 300 mil pessoas.

Mas Pedro Remelhe nota que "o primeiro anel que está à volta do Porto já não cresce tanto como cresceu há dez anos", havendo "um segundo anel" que, esse sim, que integra Maia, Valongo e Vila do Conde, "cresce mais do que os outros".

O chamado "primeiro anel" parece estar a esgotar-se, depois de ter tido "um crescimento muito grande na década anterior".

Pedro Remelhe não propõe explicações para estas realidades, explicando que, "ao INE cabe fazer o apuramento, podendo os decisores políticos utilizar a informação para duas coisas: avaliar as políticas do passado e perspectivar as políticas para o futuro".

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