Porto Brandão: a outra margem de Lisboa vai limpar a face

Câmara avança com ação porta-a-porta para convencer proprietários dos edifícios degradados a requalificarem-nos. Objetivo é reabilitar a zona como foi Cacilhas e atrair turistas.

Augusto Toucinho ainda é do tempo em que o Porto Brandão (Almada) tinha vida própria. E não era só por oferecer um privilegiado cais de embarque para a travessia do Tejo até Belém. Além de se encher de gente em férias durante o verão, quando até o "capitão Leote" dava pratos de sopa aos miúdos lá da terra, havia trabalho a sério entre a fábrica de conservas, o quartel ou a cooperativa de reboques.

"Era uma grande dinâmica e as pessoas tinham cá os filhos, que cresciam aqui e construíam cá família. Olhe ao que chegámos", lamenta, apontando para a degradação que, mesmo ao lusco-fusco, torna o cenário desolador. Casas destruídas, janelas e portas entaipadas, estradas esburacadas. Na noite da última quinta-feira, até os quatro restaurantes que sobrevivem, à boleia das famosas carvoadas, estavam vazios. Como se de uma aldeia fantasma se tratasse. E o último barco partiu para Lisboa às 22.30.

A Câmara de Almada diz ser chegada a hora de deitar mãos à obra para voltar a dar vida ao Porto Brandão nos próximos anos. E já traçou um plano. Em breve os técnicos vão ao terreno para promover um rigoroso porta-a-porta, no qual tencionam conseguir convencer os proprietários dos edifícios degradados a requalificarem as casas, oferecendo várias contrapartidas à boleia do programa de incentivos à Área de Reabilitação Urbana (ARU).

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