Portas recusa ser como Marcelo: só comentará política internacional

Ex-líder do CDS deverá ter programa televisivo, mas para comentar política internacional, fugindo da nacional. Um programa de autor que está a ser negociado com dois canais

O futuro de Paulo Portas vai mesmo passar pela televisão (SIC ou TVI), mas não num formato igual ao de Marcelo Rebelo de Sousa, que fechava o telejornal da TVI aos domingos à noite com comentários centrados na política nacional. O ex-líder do CDS quer um programa também semanal ou quinzenal, mas de política internacional, que tenha convidados de topo mundial.

Ao que o DN apurou, Paulo Portas continua a negociar com duas estações, a SIC e a TVI, ainda não estando fechado se terá um programa no cabo (nesse caso seria SIC Notícias ou TVI24) ou nas próprias generalistas.

Portas até pode querer o mesmo que Marcelo Rebelo de Sousa daqui a dez anos (ser Presidente da República, embora há um ano tenha lançado um "estou nem aí"), mas o caminho televisivo que vai trilhar será diferente.

Do lado de Portas o que está em cima da mesa é um programa de autor, idealizado pelo próprio, que, no entanto, poderá ter algumas parecenças com o Global Public Square. Este é um programa de política internacional e relações externas emitido na CNN, no qual o jornalista norte-americano Fareed Zakaria entrevista figuras de topo da diplomacia internacional. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o líder espiritual tibetano Dalai Lama ou o nobel da Economia Paul Krugman foram algumas das figuras que passaram pelo programa, que tem a duração de sessenta minutos.

Mas o modelo que Paulo Portas estará a negociar tem diferenças substanciais. O ex-líder do CDS não pretende assumir o papel de jornalista e a duração do programa poderá rondar os 15/20 minutos.

Por outro lado, a periodicidade terá de ser alargada a pedido do próprio Paulo Portas, uma vez que na sua nova vida vai passar vários dias fora do país e isso também esta a condicionar esse ponto. Há dez anos o programa que teve na televisão até foi quinzenal.

Esta não é a primeira vez que Portas aproveita a pausa política para se dedicar ao comentário televisivo. Em março de 2006, um ano depois de o CDS ter tido uma fraca votação nas legislativas e de Portas se ter demitido, o programa O Estado da Arte arrancou na SIC Notícias.

O programa realizava-se às terças-feiras, de duas em duas semanas, era conduzido por Clara de Sousa e durava quarenta minutos. Na altura, Portas fazia comentários (também) sobre política nacional, tornando-se extremamente incómodo para o seu sucessor no CDS, José Ribeiro e Castro.

Desta vez, para não fazer sombra à atual líder do CDS, Assunção Cristas, Portas quer limitar-se à política internacional. Já em 1997, na SIC, o ex-líder do CDS chegou a ter um programa de comentário político: As escolhas de Portas.

Paulo Portas foi cultivando a rede de contactos internacionais ao longo dos últimos cinco anos. No último governo assumiu a pasta dos Negócios Estrangeiros e, mesmo quando passou à condição de vice-primeiro-ministro, assumiu a pasta da diplomacia económica.

Como governante, Portas optou, nos últimos anos, pelas feiras internacionais, chegando a assumir-se como o Oliveira da Figueira, personagem dos livros de Tintin, que era um hábil vendedor lisboeta que andava pelo mundo.

Esta semana foi mesmo eleito vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, um cargo não remunerado. Portas continua a querer ajudar o país e os empresários portugueses a ganharem dimensão internacional.

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