Pónei da Terceira tem potencial nas escolas de equitação

O investigador Artur Machado, que liderou o processo de recuperação do Pónei da Terceira, acredita que a raça pode ter potencial nas escolas de equitação pelas suas dimensões e caraterísticas morfológicas.

"Imagine um miúdo de seis anos a ter de limpar os cascos de um cavalo grande. Só a desproporção de dimensões assusta-o. Agora, se tiver um parceiro da altura dele, já não há esse medo. Os miúdos criam logo à partida uma empatia muito maior", frisou, em declarações à Lusa.

O Pónei da Terceira, desenvolvido precisamente na ilha Terceira, nos Açores, foi reconhecido como raça autóctone na semana passada, depois de ter estado em risco de desaparecer.

Para Artur Machado, investigador da Universidade dos Açores (UAç), a raça não se conseguirá, no entanto, manter se for uma espécie de "bibelô", sem utilidade.

"Não é apenas a conservação da raça que me preocupa. Preocupa-me muito a própria sustentabilidade da raça. Eles têm de ter uma utilidade", frisou.

Utilizados no século XIX para trabalho agrícola, os póneis perderam utilidade com o aparecimento das máquinas, por isso, o investigador da UAç defende a afirmação da raça na equitação.

Artur Machado lembrou que a formação em equitação se inicia cada vez mais cedo, salientando que para uma criança de cinco ou seis anos, que tem de aprender, para além de montar, a cuidar do cavalo, é muito mais fácil lidar com um animal mais pequeno.

Com uma altura média de 1,28 nas fêmeas e 1,30 nos machos, o Pónei da Terceira apresenta as caraterísticas "ideais" para essa primeira fase, tendo ainda como vantagem o facto de ser semelhante a um cavalo na sua morfologia.

O Centro Hípico da Ilha Terceira tem utilizado estes animais com as camadas mais jovens de atletas e têm-se mostrado também dóceis.

"Até à data, nunca houve qualquer tipo de incidente, nem um coice, nem uma mordidela, absolutamente nada", frisou, acrescentando que os Póneis da Terceira já alcançaram mesmo vários prémios em competições nacionais.

O docente da Universidade dos Açores revelou ainda que os jovens praticantes de equitação vão fazer intercâmbios com colegas da Golegã, capital do cavalo em Portugal, e de Halifax, em Inglaterra.

Por enquanto, é preciso aumentar o efetivo da raça antes de avançar para a exportação de animais, mas Artur Machado considerou que em breve será possível fazê-lo, até porque há interesse na Europa.

"Se continuarmos com este dinamismo, tenho a certeza de que muito em breve o Pónei da Terceira terá o seu lugar na Europa, no mundo dos cavalos", frisou, revelando a intenção de levar a raça a campeonatos europeus.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG