Politécnico de Viseu começou há 30 anos com 11 alunos

Onze alunos viveram, há 30 anos, o início da história do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), com a frequência na sua primeira unidade orgânica, a Escola Superior de Educação.

A 26 de março de 1983 realizou-se a sessão solene de abertura da Escola Superior de Educação de Viseu, a primeira unidade orgânica de um instituto politécnico a entrar em funcionamento em Portugal.

"A Escola Superior de Educação começou com onze alunos e sete professores. Hoje, o Instituto Politécnico tem 6.500 alunos e 380 professores", disse à agência Lusa o presidente do IPV, Fernando Sebastião.

O IPV integra cinco escolas superiores, quatro das quais na capital de distrito (Educação, Tecnologia e Gestão, Agrária e Saúde) e uma na cidade de Lamego (Tecnologia e Gestão).

Fernando Sebastião não tem dúvidas de que o IPV "é reconhecido hoje publicamente, por instituições e forças vivas locais, como um pilar estruturante do desenvolvimento da região", em termos económicos, sociais e culturais.

Quando foi criado, o ensino politécnico em Portugal tinha como objetivo o desenvolvimento do interior do país.

"A zona mais desenvolvida do país situava-se no litoral e o interior estava muito desertificado. A atividade principal era a agrícola e tinha havido na década de 60 [do século XX] um período de grande emigração", lembrou.

Por um lado, era preciso ter quadros qualificados "para fixar indústrias com alguma tecnologia de ponta" e, por outro, "a taxa de analfabetismo era de 30% e havia falta de professores para o ensino básico e para os outros níveis de ensino".

Fernando Sebastião explicou que a Escola Superior de Educação de Viseu surgiu neste contexto, para a formação de professores desde o ensino pré-escolar até ao segundo ciclo do ensino básico.

"Formámos, ao nível da licenciatura, muitos milhares de professores e, além disso, fizemos a formação contínua dos professores do secundário, que para poderem entrar nos quadros tinham de ter formação pedagógica. Teve um papel muito importante a este nível", frisou.

Segundo o presidente do IPV, o facto de ter sido a primeira unidade orgânica de um instituto politécnico a funcionar no país deveu-se "à dinâmica dos políticos locais", como o então governador civil de Viseu, Coelho de Araújo.

Os cursos da Escola Superior de Educação continuam a ser os que registam maior procura, "em geral enchem sempre". Também o curso de Enfermagem "continua a ter uma procura muito elevada".

Na Escola Superior Agrária começa a ser revertida a dificuldade de captação de alunos, porque "a crise está a levar as pessoas a voltar à terra". Mas o mesmo não tem acontecido nas engenharias.

"Tem havido um aumento da exigência ao nível das provas específicas e, consequentemente, uma fuga da Matemática e da Física, o que tem trazido alguns problemas às engenharias", lamentou Fernando Sebastião.

No seu entender, esta é uma situação preocupante, numa altura em que se pretende para o país "inovação das empresas, desenvolvimento empresarial e competitividade internacional".

Para o futuro, o presidente do IPV promete continuar a apostar na qualidade, que passa, desde logo, pela qualificação do corpo docente.

"Neste momento, temos 170 professores a fazer doutoramento e 130 doutorados. Dentro de um ano e meio/dois anos, teremos mais de 70% do corpo docente com doutoramento", realçou.

Esta aposta, além de ser uma mais-valia para a qualidade de ensino, "tem impactos na investigação aplicada, que é orientada para resolver problemas concretos das empresas".

A curto prazo, o IPV tem também o desafio do empreendedorismo.

"Se a preocupação tem sido formar técnicos superiores qualificados para irem trabalhar para as empresas, agora começa a ser formar empresários qualificados, pessoas que possam criar a sua própria empresa e depois dar emprego a outras, até colegas de curso", acrescentou.

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