Polícia troca correntes de activistas por algemas

Os 42 pacifistas detidos passaram  a noite no Tribunal de Monsanto. Só amanhã deverão ser ouvidos em tribunal

Os 42 activistas detidos ontem de manhã num dos acessos às instalações onde decorre a Cimeira da NATO - cruzamento entre a Avenida Infante D. Henrique e avenida de Pádua - serão presentes a tribunal, amanhã, no Parque das Nações, disse ao DN fonte policial.

O grupo encontra-se nos calabouços do Tribunal de Monsanto e, segundo o espanhol Carlos Perez, da organização War Resisters Internacional, já está a ser acompanhado dos advogados. "Há um grupo que vai dar apoio legal, mas [ontem] ainda não tinham conseguido falar com eles", afirmou Carlos Perez.

A maioria dos activistas em prisão preventiva são estrangeiros, segundo disse ao DN fonte policial.

A actuação da Polícia foi "extremamente brusca e podiam ter- -nos aleijado", disse o activista espanhol. O superintendente-chefe da PSP de Lisboa, Jorge Barreira, por sua vez, prefere classificar a intervenção como rápida. "Estavam a bloquear a via e tiveram de ser retirados, mas não fomos violentos no momento da detenção", explicou o responsável policial.

O elementos da Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO (PAGAN) anunciaram o protesto à comunicação social através de SMS, ontem, pelas 09.15. Cerca das 10.00, poucos minutos depois de terem pintado a estrada com tinta vermelha (símbolo do sangue derramado em guerras da NATO), acorrentaram-se no passeio e no meio da via de acesso à cimeira.

Os agentes da Unidade Especial de Polícia chegaram poucos momentos depois, munidos de serras eléctricas, e cortaram as correntes aos activistas, substituindo-as por algemas.

Igor Seke, activista do Kosovo, assistiu à detenção dos colegas. "Fizemos isto porque somos contra as guerras da NATO. Eu era mais contra Milosevic do que contra a NATO. Mas estive durante três meses sob bombardeamentos da NATO. São assassinos que destruíram o meu país e que tiraram de lá Milosevic mas não nos restituíram a liberdade", justifica Igor Seke. "No meu País, graças aos bombardeamentos da NATO, só aumentaram os cancros devido ao uso de bombas com urânio usadas pela NATO", conclui.

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