"Podem usurpar a nossa função, mas nós estamos para ficar"

O novo ministro dos Assuntos Parlamentares Carlos Costa Neves defende, em entrevista ao DN, que o governo tem uma legitimidade à prova de bala

Não é frustrante estar a preparar um programa de governo que já sabe que será chumbado?

Como todos os membros do governo, estou a prazo. Mas o governo para mim não está a prazo, tem uma legitimidade à prova de bala. Podem usurpar a nossa função, mas nós estamos para ficar. E o meu comportamento diário é de quem está para ficar. Acredito que o que está certo vai acontecer. E o que está certo tem muita força. Acresce que o programa de governo nos seus contornos gerais é o programa eleitoral da coligação. Não é exatamente igual, mas em termos doutrinários é o programa eleitoral. Vale sempre a pena discuti-lo. Para mim na segunda e na terça não acontece nada: apenas a discussão do programa de governo.

A estrutura é a mesma, mas há uma tentativa de aproximação a algumas das propostas que foram feitas pelo PS. Que esforço está a ser feito nesse sentido?

O programa vai com certeza conter os elementos de negociação com o PS. E, portanto, tudo aquilo que pusemos em cima da mesa é natural que seja acolhido. Por outro lado, nós temos de aceitar que em qualquer um dos programas que foi apresentado, dos partidos não eleitos aos eleitos, do PAN ao PSD, há boas ideias. Temos de aceitar que os outros têm boas ideias, que podem ser aproveitadas. Nós no programa vamos incorporar o que foi institucionalmente falado com o PS e ainda o que, não tendo sido falado, são boas ideias do programa do PS.

Admite que esta convergência à esquerda seja só o interesse pessoal dos líderes Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e António Costa?

Catarina Martins segue o sonho de fazer parte do arco da governação, que é uma inspiração syriziana. Jerónimo terá lá as suas razões para fazer parte disso, talvez porque, no caso de entendimento PS-BE, seria muito difícil viabilizar um governo da coligação Portugal à Frente. Nem com a mão a tapar os olhos, como foram aconselhados a fazer noutros tempos. Portanto, está entalado. E, em relação a António Costa, o que diria é que às vezes somos tão inteligentes que somos capazes de nos enganar a nós próprios. Gostava que ele pensasse nisso.

Leia mais na edição impressa ou no epaper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG