Pobres mais pobres e sem esperar melhoras

Os pobres da cidade de Lisboa estão hoje mais pobres do que há três anos. E são mais os pessimistas quanto ao futuro, conclui estudo que acaba de ser divulgado.

O "agravamento da situação de vulnerabilidade" e o "impacto gravoso do recuo das políticas sociais" são duas das conclusões a que chegaram os técnicos do Observatório da Luta contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, num estudo sobre os pobres de Lisboa que apresentaram esta tarde no Centro de Informação Urbana de Lisboa.

Isabel Guerra, especialista em sociologia urbana, e Sónia Costa, a coordenadora do trabalho, apresentaram as resultados, sendo que uma das primeiras dificuldades foi encontrar as 74 pessoas entrevistadas em 2011.

A segunda fase foi realizada em 2014 e acabaram por entrevistar apenas 57, um painel composto por residentes nas freguesias de Marvila/Santa Clara e Santa Maria Maior/S. Vicente (www.observatorio-lisboa.eapn.pt).

As condições de vida da maioria degradaram-se, o que levou os sociólogos a concluir que "a pobreza não é um estádio mas um processo". Por exemplo, encontraram cuidadores que se tornaram desempregados e desempregados que se tornaram reformados.

"Com a crise atual, estes perfis só veem agravada a sua situação, como se lhe juntam «novos pobres» oriundos simultaneamente das dificuldades do mercado de trabalho e da redução das políticas sociais", sublinham

Os entrevistados queixaram-se que os recursos estão desigualmente distribuídos e que as políticas sociais são insuficientes, revelando uma maior desconfiança do que em 2011 sobre os sistemas de governação e da sociedade portuguesa.

A maioria, 30 pessoas, dizem que o futuro vai piorar, sendo apenas 17 os que consideram que haverá melhoras, 12 % da amostra, quando em 2011 representavam 36,5%.

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