Piloto e tripulante da avioneta indiciados por homicídio por negligência e em liberdade

Arguidos foram interrogados pelo Ministério Público, que confirmou a medida de coação de termo de identidade e residência

O piloto e o tripulante da avioneta que esta quarta-feira aterrou de emergência na Costa da Caparica, matando duas pessoas, ficaram com termo de identidade e residência como medida de coação, aguardando o decorrer do processo em liberdade.

Os arguidos estão indiciados pela "eventual prática de crime de homicídio por negligência", segundo comunicado do MP enviado às redações.

Os dois homens foram interrogados esta quinta-feira pelo Ministério Público e saíram com a medida de coação mais leve.

"Nesta investigação, que corre termos na Secção de Almada do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária em colaboração com o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários", diz ainda o comunicado, que acrescenta ainda que "o inquérito encontra-se em segredo de justiça".

"Saí que nem louco a apitar para avisar as pessoas"

Eram 16.48 quando do seu posto de vigia Nuno Alves percebeu que uma avioneta rasava estranhamente o areal da praia de São João, na Costa de Caparica. "Saí que nem louco a apitar para avisar as pessoas. Não sabia se ela ia aterrar aqui ou na praia ao lado, mas percebia-se que ia aterrar no meio das pessoas." O nadador-salvador nunca viu um acidente como este em que uma avioneta aterrou de emergência no areal e acabou por causar dois mortos - uma menina de 8 anos e um homem de 56. "Não sei o que aconteceu, ainda estou meio em choque porque fomos os primeiros a chegar ao pé das vítimas". Este é o seu último ano como nadador-salvador e admite que não queria ter-se despedido desta forma.

(em atualização)

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