PGR devia abrir inquérito à actuação da polícia

Um responsável da Plataforma 15 de Outubro, que integra o movimento dos indignados, defendeu hoje que o Procurador-geral da República (PGR) devia abrir um inquérito na sequência do vídeo relativo às agressões "desproporcionadas" da PSP a um jovem alemão.

Em declarações à agência Lusa, Renato Guedes, da Plataforma 15 de Outubro, considera que as imagens, que percorrem a Internet e as redes sociais, são elucidativas da "actuação vergonhosa" de vários agentes policiais contra um jovem alemão de 21 anos, no seguimento da manifestação realizada junto do Parlamento no dia da greve geral.

O membro da Plataforma 15 de Outubro defende ainda que o inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto garante da legalidade democrática, devia estender-se à actuação da PSP logo no início do dia da greve, ao impor aos piquetes de greve o que "podiam ou não podiam fazer".

"Há uma subversão do Estado de Direito democrático", argumentou Renato Guedes, lembrando que também na anterior manifestação do Rossio houve erros na actuação policial, que terminaram com a absolvição de dois jovens detidos na ocasião por alegados insultos à autoridade.

Quanto às informações policiais, veiculadas pela imprensa, de que o jovem alemão está referenciado pela polícia dos dois países e que é uma pessoa perigosa, o membro da Plataforma 15 de Outubro respondeu que "até agora o que existe são boatos" que servem de "cortina de fumo" para tapar a actuação "vergonhosa" da polícia, de que as imagens em vídeo não permitem desmentir.

Renato Guedes diz desconhecer que factos concretos são imputados ao jovem alemão, cujo julgamento por alegada agressão à autoridade, resistência e desobediência foi adiado para 06 de Dezembro, uma data bem distante dos acontecimentos.

Alem do cidadão alemão, na quarta-feira foram também detidas mais seis pessoas, uma das quais uma francesa de 16 anos.

Aquele membro da Plataforma 15 de Outubro referiu que a "polícia tem o monopólio da violência" e que a sua utilização tem sempre que ser "justificada", o que no caso do jovem alemão não aconteceu, pois foi "desproporcionada", independentemente da campanha mediática em contrário desenvolvida pela PSP.

Entretanto, a PSP já anunciou a abertura de um inquérito interno de averiguações sobre o caso e garantiu que a reacção do agente foi "proporcional" à situação.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG