Peregrinos fazem fila no santuário para acender velas

Dezenas de peregrinos fazem hoje fila para colocar velas no tocheiro do Santuário de Fátima, cumprindo, dessa forma, promessas, numa tradição que o administrador da instituição considera que continua "enraizada" na religiosidade popular.

"É uma tradição já de longa data que continua a estar enraizada na religiosidade popular", disse à agência Lusa o padre Cristiano Saraiva.

Para o sacerdote, o entendimento do santuário é de que a vela "é uma identificação com Cristo, luz do mundo, e, ao mesmo tempo, é a colocação junto de Nossa Senhora - e é esse o sentido dos peregrinos - que simboliza a sua presença".

"Ao mesmo tempo, invocam a proteção de Nossa Senhora para a sua dimensão cristã, para as dificuldades da sua vida", adiantou o administrador do santuário.

Segundo Cristiano Saraiva, "há pessoas que não podem vir e pedem a outras que, em sua vez, possam acender uma vela a Nossa Senhora", acrescentando: "No fundo, as pessoas reveem-se na sua presença naquela vela, naquela chama que apresentam diante de Nossa Senhora".

Foi o que fez José Nunes, de 54 anos, que se deslocou a Fátima a pé, desde Lisboa, numa viagem de 135 quilómetros que culminou, no tocheiro, com a queima de velas.

"Depositei duas velas, uma a pedido de pessoas amigas, porque têm um rapaz que está doente, e outra por mim, pela minha família e pelos meus amigos", explicou o peregrino, ex-paraquedista, terço no pescoço e t-shirt azul vestida com a imagem da Virgem de Fátima.

Na fila, Lucinda Cunha, de 56 anos, guardava pela vez para colocar as dez velas que tinha nas mãos, "pelos filhos e pelos netos", disse.

Um outro peregrino, de Aveiro, segurava três para colocar no tocheiro.

"Foi o que prometi", justificou à Lusa, depois de ter chegado a Fátima de autocarro - "porque é mais barato" - para participar nas celebrações da peregrinação internacional aniversária que hoje começa.

No dia 12 de maio de 2013, cerca de 18 toneladas de velas foram derretidas no tocheiro do recinto.

O número foi semelhante ao verificado em 2012, quando foram derretidas 19 toneladas.

Apesar da grande quantidade de cera -- que, além de velas, inclui artigos que reproduzem parte e órgãos do corpo humano - depositada naquele local, junto à Capelinha das Aparições, o santuário não prevê fazer naquele espaço "grandes alterações", nem aumentar o seu espaço.

"Não podemos considerar que se está a tornar pequeno. O tocheiro já tem esta dificuldade nos grandes dias e, para os grandes dias, não há solução", reconheceu o administrador do santuário.

A abertura oficial da peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de maio, 97 anos após os acontecimentos de Fátima, está marcada para as 18:30, na Capelinha das Aparições, encerrando com a missa, seguida da procissão do adeus, na manhã de terça-feira, no recinto do santuário. Preside o patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal.

Segundo os últimos dados do santuário, inscreveram-se junto dos serviços 124 grupos de 24 países.

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