Pedidos esclarecimentos sobre turma de alunos ciganos

O Alto Comissariado para as Migrações (ex-ACIDI) pediu já esclarecimentos ao diretor da escola básica em Tomar que constituiu uma turma de primeiro ciclo só com alunos de comunidades ciganas, revelou sexta-feira aquela organização.

O caso tem sido noticiado nos últimos dias na comunicação social, depois de o jornal Público ter dado a conhecer a escola em Tomar que passou a ter uma turma de primeiro ciclo constituída apenas por alunos ciganos.

Na sequência dessas notícias, "o Alto Comissariado para as Migrações, e presidente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, solicitou, através de ofício dirigido ao diretor da Escola Básica do 1º. Ciclo dos Templários, os esclarecimentos tidos por convenientes", lê-se numa nota publicada no site do Alto Comissariado para as Migrações (ACM).

Nessa nota, o ACM remete também para um comunicado do Grupo Consultivo para a Integração das Comunidades Ciganas (CONCIG), de abril, com uma série de deliberações a propósito do abandono escolar precoce de menores oriundos de comunidades ciganas.

Essas deliberações vão no sentido de "relembrar" que a educação é um direito inalienável, bem como "afirmar que é possível a conciliação entre o direito fundamental do acesso à educação e o direito à identidade cultural".

Destaca, por outro lado, que já existem práticas, implementadas com sucesso, no sentido de combater o abandono escolar precoce e promover o sucesso educativo das crianças ciganas.

Na sexta-feira, em declarações à Lusa, o diretor do Agrupamento de Escolas Jácome Ratton, que integra a Escola Básica do 1º. Ciclo dos Templários, disse que a preocupação na constituição da turma foi conseguir a melhor solução para que alunos repetentes e com "absentismo grande" aprendam a ler e a escrever.

"São alunos que estão todos ao mesmo nível em termos de escolaridade. Procurámos que a turma fosse homogénea não pela idade mas pelo nível de aprendizagem", disse, frisando que a turma é "muito pequena" e que a professora foi escolhida pela sua "grande experiência" e capacidade de perceber o contexto socioeconómico e familiar das crianças.

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