PCP pede ao Governo para apoiar produtores de cereais

O secretário-geral do PCP afirmou no sábado que haverá mais produção de cereais no país quando o Governo apoiar os pequenos agricultores, referindo-se à preocupação manifestada hoje pela ministra da Agricultura com a quebra da produção nacional.

Durante um discurso proferido no sábado à noite num comício na Costa da Caparica, Jerónimo de Sousa referiu a preocupação de Assunção Cristas com a diminuição da produção de cereais, mas lembrou os diferentes aumentos [por exemplo, o IVA da eletricidade] já anunciados pelo Governo, que para o dirigente comunista "significa que muitos agricultores vão deixar de produzir".

"Depois admira-se", afirmou esta noite Jerónimo de Sousa defendendo que o aumento da produção de cereais só irá acontecer "quando [o Governo] apoiar os pequenos agricultores".

O Instituto Nacional de Estatística alertou na quinta-feira para uma produção de cereais abaixo das 180 mil toneladas, atingindo "mais um mínimo histórico", devido à diminuição da área semeada e da produtividade originada pelas condições climatéricas.

Ao longo do discurso, o secretário-geral do PCP criticou a "política de cega e brutal austeridade" levada a cabo pelo Governo PSD/CDS-PP para quem, "tal como o PS de Sócrates", "os sacrifícios não são para todos" e "tudo é pretexto para pôr o povo a pagar".

"Tudo serve", disse, destacando a falta de isenção do pagamento das portagens da ponte 25 de Abril no mês de Agosto, que afecta muitos dos que se deslocaram esta noite à Associação dos Amigos da Costa de Caparica.

O dirigente comunista reafirmou a oposição "firme, séria e efetiva" do PCP, "que sabe quais são as consequências para o país e para os trabalhadores da política deste governo".

"O programa [do executivo] assume uma verdadeira declaração de guerra aos trabalhadores e ao povo", defendeu, acrescentando que "podem continuar a falar da legitimidade reforçada deste Governo e das suas políticas que os portugueses não tardarão a reagir à enorme trapaça do PS e PSD, que levara, ao engano milhares de portugueses".

Jerónimo de Sousa defendeu que "não há salário nem reforma que aguente este aumento sistemático de tudo, impostos, transportes, energia, bens e serviços essenciais, medicamentos, juros na habitação".

"E muito menos aguentam aqueles que são empurrados para o desemprego ou vivem de um trabalho precário e mal remunerado", acrescentou.

Durante o discurso, Jerónimo de Sousa mencionou também a "entrega ao desbarato" de empresas públicas, cujo "primeiro exemplo foi dado com a eliminação das golden shares na PT, na Galp, na EDP", que classificou como um "acto de gestão danosa contrário aos interesses nacionais".

Para o secretário-geral do PCP, "o plano do governo nesta matéria estende-se aos serviços essenciais às populações", dando como exemplo, entre outros, "a entrega de hospitais e centros de saúde ao negócio do privado".

Jerónimo de Sousa criticou ainda o Programa de Emergência Social anunciado recentemente pelo executivo.

"Promove-se uma política que rouba nos salários, no emprego, nos direitos, que atira as pessoas para a pobreza, para depois promoverem a esmola", disse, acrescentando que "o que está mal não é a existência de um plano, mas a sua natureza, conteúdo e toda a filosofia e orientação política que lhe está subjacente".

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