PCP: "Direção das secretas não tem condições para continuar"

Os comunistas questionaram o secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, sobre os últimos escândalos, mas não se sentem esclarecidos

Júlio Pereira, que dirige o Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) desde 2005, foi esta quarta-feira ouvido no parlamento, a pedido do PCP, por causa do mais recente escândalo que atingiu as secretas - a detenção de um espião suspeito de vender segredos aos russos - mas acabou por ser questionado sobre várias outras polémicas.

No final, o PCP concluiu que não tinham sido dadas explicações suficientes e considerou que "a direção dos serviços de informações não tem condições para continuar nas funções". O deputado do PCP Jorge Machado não circunscreve o pedido de demissão implícito na declaração a Júlio Pereira, mas a "toda a direção", ou seja, aos diretor do SIS (Serviço de Informações de Segurança) e do SIED (Serviços de Informações Estratégicas de Defesa), dirigidos por Neiva da Cruz e Casimiro Morgado, respetivamente.

"Depois de tudo o que se passou a direção dos serviços de informações não tem condições para o exercício das funções num quadro normal de funcionamento de um regime democrático", assinalou ao DN Jorge Machado. "Há demasiadas questões que não ficaram esclarecidas na audição e o PCP pensa que, tendo em conta tantas dúvidas a descredibilizar estes serviços, será necessário uma profunda alteração do modelo e da sua organização", acrescentou o deputado.

Além do caso do espião, foi também debatida a questão do manual de procedimentos, com instruções de duvidosa legalidade, as denúncias de ilegalidades praticadas pelos serviços feitas no julgamento do ex-diretor do SIED e o acesso ilegítimo aos metadados do jornalista Nuno Simas. "As respostas do Sr, secretário-geral foram insuficientes", diz o PCP.

Os comunistas defendem que todos estes casos "revelam uma clara insuficiência da fiscalização" a qual deve também ser sujeita a "uma profunda reforma".

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