Paulo Santana Lopes paga milhão de euros para ficar em liberdade

José Veiga ficou em preventiva por ter dupla nacionalidade e haver perigo de fuga para o Congo. Já Santana Lopes, também com nacionalidade congolesa, depois de pagar a caução ficará só com apresentações periódicas

Paulo Santana Lopes, arguido no processo Rota do Atlântico, está disponível para pagar nos próximos dias um milhão de euros de caução, a medida de coação definida na segunda-feira pelo juiz de instrução Carlos Alexandre. Segundo o que o DN apurou, o suspeito do processo que investiga a prática dos crimes de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, fraude fiscal e tráfico de influência ficará em prisão domiciliária até que pague este valor. O advogado do empresário, Tiago Félix da Costa, já anunciou que não vai recorrer desta medida de coação.

Depois de paga a caução, Santana Lopes ficará apenas sujeito à obrigação de apresentações periódicas (três vezes por semana) na esquadra da PSP mais próxima e não poderá contactar os restantes arguidos no processo.

Já José Veiga, ex-diretor da SAD do Benfica e antigo agente de Luís Figo e de João Pinto, fica sujeito à medida de coação mais gravosa - a prisão preventiva - nas instalações da Polícia Judiciária, até que o juiz de instrução reveja a sua situação, o que deverá acontecer daqui a três meses. Contactado pelo DN, o advogado do ex-empresário de futebol, Rogério Alves, está a estudar a estratégia para os próximos dias, não revelando se vai recorrer da preventiva. O advogado mostra-se confiante na defesa.

A medida de coação mais grave aplicada a José Veiga terá sido com base no fundamento do perigo de fuga, já que o ex-empresário de futebol tem dupla nacionalidade - portuguesa e congolesa - e residia atualmente no Congo. Porém, esse mesmo critério já não serviu para o outro arguido, Paulo Santana Lopes, irmão do atual provedor da Santa Casa e ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, já que também Paulo dispõe de nacionalidade congolesa e com domicílio fiscal nesse país africano.

Ligações ao Congo

Desde 2009 que José Veiga vive na República do Congo, país onde tem residência fiscal desde 2011. Tem negócios em Cabo Verde, Guiné Equatorial, Benim, Nigéria, Costa do Marfim, Togo e Guiné-Conacri, além do Congo. Emprega cerca de seis mil pessoas, entre as quais cerca de 1500 portugueses, em áreas como a banca, saúde ou exploração de recursos naturais, mas também na distribuição de água e imobiliário. Na República do Congo, José Veiga era conhecido como o "feiticeiro português" do presidente Denis Sassou Nguesso, com quem mantinha uma parceria de negócios para a exploração de petróleo, mas também nos setores da construção civil, energia e obras públicas. Terá sido, precisamente, neste âmbito que José Veiga e Paulo Santana Lopes terão amealhado comissões pela entrada de empresários naquela república africana.

Paulo Santana Lopes seria mais um "angariador de negócios". Aliás, terá sido esta qualidade que levou, em 2009, a investigação do processo Face Oculta a encontrar três cheques, no valor de 72 mil euros, do empresário Manuel Godinho para Paulo Santana Lopes. O sucateiro Manuel Godinho foi condenado a 16 anos de pena de prisão.

A terceira arguida, a advogada Maria Barbosa, ficou sujeita ao termo de identidade e residência e a proibição de contactos com os restantes arguidos. Segundo a PGR, este inquérito tem um total de nove arguidos constituídos: quatro pessoas singulares e cinco coletivas.

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