Patrões defendem que acordo à esquerda é ameaça à estabilidade

Presidente da CIP, António Saraiva, foi recebido esta quinta-feira pelo Presidente da República, que irá ouvir todos os parceiros sociais

O Presidente da CIP, António Saraiva, deixou esta quinta-feira vários recados aos sindicatos mas também a um eventual governo do PS, com o apoio do BE e PCP, depois de ser recebido pelo Presidente da República, que começou hoje a ouvir os parceiros sociais na sequência da queda do Governo PSD/CDS-PP no Parlamento.

Num tom duro, as declarações de Saraiva foram de aviso à maioria de esquerda, prometendo que a CIP - Confederação Empresarial de Portugal, em representação dos "patrões", não vacilará na defesa da competitividade da economia. Falou também para os sindicatos, acusando a CGTP de tentar "ganhar no Parlamento o que em sede de Concertação Social não conseguiu até agora".

"Sentimos que, pelos sinais que são dados nos acordos que foram recentemente anunciados, que alguma desta estabilidade parece estar ameaçada já que pressentimos que há uma tentativa de deslocalização do que é tratado na concertação social para o parlamento. Não permitiremos que essa deslocalização ocorra", declarou.

O Presidente da CIP disse esperar que se mantenham as medidas de apoio à competitividade negociadas com o Governo anterior e que não haja espaço para a "reversão" dos indicadores de melhoria da competitividade portuguesa. "Em sede de Concertação Social, não vacilaremos na defesa da competitividade da economia".

Em sede de Concertação Social, não vacilaremos na defesa da competitividade da economia

Questionado sobre o aumento do salário mínimo nacional, que deverá subir para os 530 euros em 2016 - segundo a proposta do programa de governo socialista - Saraiva disse que a CIP está disponível para negociar um novo acordo, mas sempre dependendo dos critérios que ficaram estabelecidos, nomeadamente a inflação. E destacou que o salário mínimo "não se aumenta por decreto", uma vez que uma subida dos 505 para os 530 euros terá de significar uma disponibilidade da empresa de mais 800 euros anuais por trabalhador, para além dos efeitos de "arrastamento nas tabelas salariais".

Saraiva alertou ainda para a necessidade de o próximo Executivo ser "realista" e ter conhecimento aprofundado da realidade nacional, garantindo que são necessárias explicações para as medidas já avançadas: a CIP quer saber de onde virá a receita para um "previsível aumento da despesa" para as empresas.

João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, disse à saída da audiência com o Presidente da República que a CCP tem abertura para discutir o aumento do salário mínimo, mas ressalva que não é possível subir a remuneração estabelecendo "timings e objetivos para atingir valores", defendendo que seja feita a análise de um conjunto de indicadores antes de avançar para a meta prevista.

"Não simpatizamos com a ideia de um governo de gestão", acrescentou, questionado sobre a possibilidade de se manter no poder o Executivo de coligação. A CCP, explicou Vieira Lopes, quer um Governo "que possa decidir e responder em termos estratégicos e de dia-a-dia".

Esta quinta-feira, o Presidente da República vai ainda receber em audiência os representantes da Confederação dos Agricultores de Portugal e da Confederação do Turismo Português.

Na agenda de Cavaco Silva caberá ainda a audiência com uma delegação da consultora McKinsey & Company, que apresentará os resultados do trabalho "Portugal: Escolhas para o futuro".

Com Lusa

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