Passos: Novo governo depende de "avaliação" e "julgamento" do Presidente

Líder do PSD revela que terminou o tempo das "diligências". Agora "compete agora ao Presidente indigitar novo primeiro-ministro"

O presidente do PSD, Pedro Passo Coelho, esteve esta manhã reunido com o Presidente da República Cavaco Silva em Belém, numa reunião que durou menos de uma hora. À saída, Passos Coelho disse que já fez as suas "diligências" e que agora tudo está nas mãos do chefe de Estado.

"Compete agora ao Presidente da República proceder à indigitação de um novo primeiro-ministro e certamente que o fará com base na sua avaliação e no seu julgamento", referiu no final do encontro o líder do PSD numa breve declaração aos jornalistas sem direito a perguntas.

Passos Coelho afirmou ainda que este encontro serviu para "informar o Presidente das diligências que fiz tendo em vista a criar condições de governabilidade e estabilidade do país", lembrando ser esse o processo normal por ser "o partido mais votado nas últimas eleições".

O presidente do PSD tinha sido incumbido há 14 dias de encontrar uma solução de governabilidade mais estável do que a que resultaria de um governo minoritário da força mais votada nas legislativas de 4 de outubro. Após dois encontros com o PS, cartas, documentos facilitadores e acusações de parte a parte as negociações com o PS parecem ter chegado ao fim.

Ao colocar todo ónus em Cavaco Silva, Passos Coelho diz claramente que já fez o que tinha de fazer. Ou seja: as diligências junto do PS estão para já interrompidos. O que levou para apresentar ao Presidente foi, no fundo, o mesmo que tinha há 14 dias: um governo minoritário PSD/CDS.

O encontro desta manhã entre Passos e Cavaco aconteceu um dia depois do líder social-democrata ter desafiado o secretário-geral do PS, António Costa, a esclarecer se quer ou não integrar o governo.

Passos Coelho transmitiu ao Presidente as dificuldades que encontrou do lado do PS na perspetiva de um entendimento para o qual Cavaco o tinha mandatado num primeiro encontro após as eleições.

Quando recebeu Passos Coelho em Belém pela primeira vez após as eleições, Cavaco Silva tinha encarregado o líder da coligação PSD-CDS de procurar uma solução de estabilidade e governabilidade para o país, que incluísse os partidos favoráveis à integração europeia.

Este segundo encontro entre Passos e Cavaco ainda não está incluído na ronda de audições dos partidos com assento no parlamento, que tem início amanhã.

A TVI avança esta manhã que após esta ronda (que incluirá também o PSD), Cavaco Silva vai anunciar a decisão de indigitar Passos, que já estará tomada, segundo o canal de notícias.

Para já a posição oficial da Presidência da República é remeter para o comunicado da última quinta-feira, quando Cavaco Silva advertiu em comunicado: "O Presidente da República reafirma que as decisões que vier a tomar transmiti-las-á diretamente aos portugueses ou através do chefe da sua Casa Civil".

Seja ou não quarta-feira é elevada a probabilidade de Cavaco Silva indigitar Passos Coelho e dar posse a um governo da coligação PSD/CDS. Mesmo que PS, PCP e Bloco de Esquerda anunciem que vão rejeitar o programa de governo, o Presidente não quer antecipar cenários.

Agendados pela Presidência estão, para já, os encontros com os partidos com assento parlamentar. O primeiro a ser ouvido amanhã será o PSD (15:00), seguido do PS (16:00), do Bloco de Esquerda (17:00) e do CDS (18:00). Os encontros continuam na manhã do dia seguinte, com as audições do PCP (10:30), d'Os Verdes (11:30) e do PAN (12:30).

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