Passos Coelho fica como líder da oposição se o Governo cair

Programa de governo não integra medidas do PS mas deixa cair plafonamento das pensões. Veja o documento

Pedro Passos Coelho garantiu esta manhã, na Assembleia da República, que assumirá a posição de líder da oposição se o programa do governo [já disponível no site do Parlamento] for chumbado no Parlamento. Questionado sobre se continuará à frente do PSD na oposição e ocupará o lugar de deputado, o primeiro-ministro foi claro: "Não sou de desertar das minhas funções".

Passos Coelho disse ainda que não tem "opiniões nem valores que mudem ao sabor das circunstâncias", mas que tem a "expectativa legítima" de continuar como primeiro-ministro.

Só não serei se o PS derrubar o governo no Parlamento

Por uma questão de respeito institucional Passos, que falava à saída de uma reunião das bancadas do PSD e do CDS, não quis divulgar medidas concretas do programa da coligação, mas garantiu que este "não irá defraudar, pois vai "assentar, no essencial naquilo que foi o programa eleitoral sufragado pelos portugueses".

Passos garantiu no, entanto, que caiu o plafonamento das pensões, uma vez que "o PS mostrou que não estava disponível para viabilizar e não vale a pena insistir numa coisa que não tem viabilidade", insistindo que a reforma da Segurança Social tem de ser feita em conjunto e em acordo com os socialistas.

Não incorporamos medidas no nosso programa que são do PS

Por outro lado, o programa de governo, garante Passos, não "incorpora medidas do PS", mas demonstra abertura para que haja mudanças. O primeiro-ministro admite "acelerar" a reposição "dos rendimentos dos portugueses mais rápida" que a que consta do programa, mas "sem aumentar a despesa". Ou seja: tem de haver receita que compense esse alívio mais rápido da austeridade.

O PS continua a ser o parceiro de tango favorito de Passos Coelho, pois "partilha das opções europeias. Porém, o primeiro-ministro recusa cruzar a linha vermelha do descontrolo orçamental: "Não entramos em leilões".

O primeiro-ministro continua a garantir um défice abaixo dos 3% em 2015 e é, precisamente, para manter as metas orçamentais que o governo apresentou ontem o "pacote das finanças" que visa manter o ritmo da austeridade previsto no Programa de Estabilidade.

Ao que o DN apurou junto de fontes das bancadas da coligação, o programa de governo foi, no essencial, tirado a papel químico do programa eleitoral. A ideia de PSD e CDS é caírem, se for caso disso, de pé no Parlamento. Ou seja: mantendo a linha da prudência e do rigor orçamental defendida durante a campanha.

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