Passos desafia Costa a aproximar-se de ideias do PSD se quiser "compromissos"

Líder social-democrata reiterou convite para fazer reforma da segurança social e do sistema político, mas avisou que tem de ser o PS a deslocar-se mais para o centro e não o PSD a ir para a esquerda

Passos Coelho garantiu hoje que o PSD é um partido que "não tem pressa" e que vai aproveitar a oposição para se "preparar devidamente" para voltar a governar. No encerramento do 36.º Congresso do PSD, em Espinho, o presidente do PSD deixa um aviso a António Costa (e também ao Presidente) de que não é o partido que irá virar à esquerda, será o PS que terá de se aproximar ao centro: "Não queiram falar de compromissos de ideias se não se aproximarem de nós. Apresentamos as nossas propostas, mas não nos peçam que troquemos de convicções. As regras são claras."

Passos insistiu em convidar o PS para se sentar com o PSD em duas reformas: a da Segurança Social (para a qual desafia até "todos os partidos") e da do sistema eleitoral. Sobre esta última, para a qual defende a introdução do voto preferencial, aproveitou para dizer que não quer eleições antecipadas: "É a altura certa para fazer esta reforma já que não haverá eleições para a Assembleia da República nos próximos anos e eu espero que não haja".

Apesar de estar na reserva para, no futuro, governar, Passos garantiu que o PSD não vai deixar de apresentar propostas no Parlamento para melhorar o "presente" dos portugueses de forma a "responder aos problemas" como a demografia, o pagamento da dívida ou a sustentabilidade da segurança social.

O presidente do PSD aproveitou a presença da líder do CDS na sala, Assunção Cristas - que saudou no discurso - para piscar o olho aos centristas. "Nos últimos anos, juntamente com o CDS, mostrámos ter o sentido de responsabilidade para colocar os interesses dos portugueses sempre acima das divergências partidárias. Fizemo-lo no governo, e faremos agora na oposição com certeza."

Numa resposta também ao repto saído do congresso do CDS para fazer uma revisão da Constituição, bem como com o pretexto da celebração dos 40 anos da lei máxima, Passos Coelho aproveitou para esclarecer que o PSD "não tem nenhuma querela constitucional". O presidente do PSD disse ainda que está "disponível para a melhorar [a Constituição] no futuro", não de forma limitada, mas com uma "visão holística e aberta do que deve ser a melhoria do nosso texto constitucional para o futuro".

Nos avisos à "geringonça", que na sexta-feira considerou de consistente, avisou o PS que o caminho de "reestruturação da dívida" pode conduzir a um segundo resgate, pois a "reestruturação técnica" de baixar o custo da dívida e aumentar os prazos de maturação já foi feita no seu tempo. Mais do que isto, garante Passos, só perdão da dívida e isso levará necessariamente a nova intervenção externa.

Houve também um desafio a que todos os partidos se unissem num pacto para atrair investimento externo para o país, ao qual junto as críticas ao incentivo ao consumo interno como motor da economia.

Passos voltou a reforçar que o PSD aposta forte nas autárquicas de 2017, colocando como objetivo voltar a ter o maior número de autarquias e recuperar "simbolicamente a liderança da Associação Nacional de Municípios Portugueses".

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