Passos Coelho deixa em aberto formar governo sem disputar novas eleições

Líder acredita que PS deixará país vulnerável e diz que se houver "esgotamento" do governo, o PSD assumirá responsabilidades.

Passos Coelho admite a hipótese de voltar ao governo sem que haja novas eleições. Ao entregar esta tarde a sua recandidatura a líder, na sede do PSD, disse que "se nos próximos dois anos alguma coisa acontecer e houver eleições, eu serei candidato a primeiro-ministro". Sobre se isso envolve um novo escrutínio, Passos respondeu tantas vezes quantas lhe foi feita a pergunta: "Não especulo, não especulo, não especulo".

Também na própria moção de estratégia Passos admite voltar ao poder antes do final da legislatura. No documento fica claro que "o PSD não deixará de estar sempre preparado para reassumir responsabilidades de governo, se a isso vier a conduzir o esgotamento da solução de governo protagonizada pelo PS".

Na moção, Marcelo Rebelo de Sousa (e até os partidos que hoje apoiam o PS) são apresentados como meios para derrubar o governo de Costa perante esse eventual esgotamento, destacando que "existem mecanismos no quadro constitucional que permitirão aos partidos políticos com responsabilidades parlamentares e ao Presidente da República avaliarem as melhores soluções a adotar em face das circunstâncias concretas."

Recorde-se que a própria candidata à liderança do CDS, Assunção Cristas, admitiu a hipótese de formar governo com o PSD e com um PS sem António Costa. Passos, sem concretizar, não quis descartar a hipótese.

Por outro lado, o líder social-democrata diz não estar "à espera que o governo falhe" nem que "as coisas acabem mal". Recusou a ainda a revelar se pretende ficar todo o tempo da legislatura na liderança do PSD, lembrando que "o mandato é para dois anos".

Passos diz, no entanto, que não se quer eternizar no cargo. "Sou candidato a presidente do PSD, que é um cargo que tem um mandato de dois anos. E não tenho a mania de ser um sempre em pé. Não é porque fui primeiro-ministro que tenho a mania que tenho de ser primeiro-ministro de qualquer maneira"

Quanto a uma coligação com o CDS, Passos limitou-se a dizer que a moção que apresentou "não foi para eleições". Porém, acrescentou que está de acordo "com o que tem dito a dra. Assunção Cristas nestas matérias", destacando que PSD e CDS têm um "diálogo preferencial". Ainda assim, os caminhos separados dos dois partidos justificam-se porque "precisam ambos de espaço para crescer".

Para o líder do PSD, António Costa vai deixar o país pior do que encontrou, mas nunca como José Sócrates o deixou. Na moção, Passos admite que "a atual linha pode não acabar necessariamente no retorno à insustentabilidade económica e financeira com o estrondo que acabou em 2011", mas que, ainda assim, "deixará o país em circunstâncias mais vulneráveis e com maiores desequilíbrios."

As feridas da troca de governo ainda estão abertas. A moção destaca que o PS perdeu "clamorosamente" as eleições e queixa-se de - mesmo tendo sido o mais votado - o PSD não ter tido "sequer, o benefício da dúvida da maioria dos deputados na Assembleia".

A moção tem depois uma parte mais ideológica, em que há o tal regresso à social-democracia. No documento é explícito que "o PSD recusa, pois, qualquer acusação de "direitismo" austeritário com que quiseram, e ainda querem, tatuar a alegada falta de sensibilidade social no exercício de funções governativas".

Tal como o DN avançava na edição de hoje a moção define como objetivo o PSD voltar a ser a principal potência autárquica. "o PSD tem a aspiração de voltar a ser, em 2017, o maior partido no mundo das autarquias, conquistando o maior número de presidências e voltando a desempenhar, simbolicamente, a presidência da Associação Nacional de Municípios".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG