Passadiço sobre as águas do Paiva atrai milhares a Arouca e faz crescer negócios locais

Oito quilómetros de passeio entre a praia fluvial do Areinho e a de Espiunca estão a dinamizar o negócio de taxistas, bares e vendedores ambulantes.

O novo passadiço sobre o rio Paiva, em Arouca, está a atrair às freguesias de Canelas e Espiunca milhares de visitantes todas as semanas e "a loucura" tem feito crescer o negócio de táxis, bares e vendedores ambulantes.

Em causa estão oito quilómetros de passeio entre a praia fluvial do Areinho e a de Espiunca, pelo que quem deixa o carro numa ponta do trajeto caminha um total de 16 quilómetros para regressar à viatura ou faz o percurso num só sentido e depois precisa de um táxi para voltar ao local de partida.

Miguel Brandão tem andado nessa vida. É taxista há quatro anos, mas, antes da abertura do passadiço, nunca teve tanto trabalho: "Antes não havia aqui nada, nada, nada", recorda.

Agora é requisitado quase todos os dias e ao fim de semana o serviço "pode chegar às 15 viagens" diárias, cada uma delas ao preço médio de 15 euros.

"Isto ao sábado e ao domingo é mesmo uma loucura", avalia. "Claro que no inverno não vai haver cá esta gente toda, mas, por enquanto, o negócio dá para eu fazer pelo menos o dobro do que fazia antes", contabiliza.

Carlos Almeida é de Gaia, mas, tendo casa também em Cinfães do Douro, fez o reconhecimento dos acessos ao passadiço antes de o percorrer na totalidade com a filha, os sogros e o cão. Foi assim que descobriu um anúncio a divulgar serviços de táxi, pelo que guardou o contacto indicado e na véspera do passeio acertou detalhes com o motorista.

"Andámos umas três horas e meia a caminhar, mas só porque estávamos sempre a tirar fotografias ou na brincadeira", revela. "A parte pior foi aquela zona de terra perto do Areinho, que é mesmo desagradável, mas, tirando isso, o resto compensou e adorei a viagem", assegura.

Mal se sentou no táxi para regressar ao local onde deixara o seu próprio carro, Carlos já não tinha dúvidas: "Vamos pagar à volta de 15 euros, mas, pelo esforço que poupamos ao não ter que caminhar oito quilómetros para trás outra vez, é quase de graça".

Adelina Santos é proprietária da Quinta da Estreitinha e sempre vendeu os seus produtos em mercados locais, mas agora é em Espiunca, junto ao passadiço, que passa a maior parte dos fins de semana. "Venho para cá às sete da manhã para ter lugar para a minha mesa, antes de os carros tomarem conta disto tudo", declara.

Pêssegos, peras e ameixas são a colheita desta semana, disposta na banca de forma muito organizada, ao lado de uma taça com água para quem quiser lavar a fruta. Mel e compotas também têm procura, mas o que desaparece mesmo é a broa de milho caseira.

"A maioria das pessoas vem preparada com lanche na mochila, mas quando acabam o passadiço gostam sempre de comer uma peça de fruta fresca e é isso que eu vendo mais - uma ou duas peças de cada vez, para se comer na hora", revela Adelina.

Feitas as contas, o negócio dura até às 19:00 ou 20:00, enquanto houver afluência de caminhantes, e, embora a vendedora não queira revelar quanto fatura num dos seus melhores dias, garante: "Isto tem sido muito bom para nós! Escoamos muito mais produto do que antes!".

Foi a pensar nessa procura que Óscar Valério abriu a 1 de agosto o seu novo bar na praia do Vau, a meio do percurso sobre o Paiva. "Sobretudo ao fim de semana, o passadiço tem um fluxo quase contínuo de pessoas e decidi abrir aqui a minha casinha na floresta, à sombra, para elas terem onde comprar qualquer coisa para uma pausa", revela.

Funcionando apenas há uma semana, o bar tem atraído visitantes "de todo o lado, desde o Minho ao Algarve", e o negócio "está a correr muito bem, pelo menos enquanto durar o bom tempo".

Produtos com mais saída: "Água, sempre, e, em segundo lugar, café, para as pessoas ficarem com energia".

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