Partilha de transportes e veículos mais amigos do ambiente

Há mudanças para chegar até 2020 e outras, como os carros autónomos, que só vão ver a luz do dia lá para 2030. Ficam cinco ideias fortes transmitidas na conferência do DN

Usar o carro como um serviço on demand

A ideia de comprar um carro está a passar de moda. A tendência que se começa a ver e que vai continuar a conquistar adeptos é a de alugar um carro para as deslocações pontuais que cada um precisa de fazer. De tal forma que a indústria automóvel está a especializar-se em vender um serviço e não o carro. As previsões, tal como sublinhou António Oliveira Martins, diretor-geral da LeasePlan (empresa de renting de carros), no debate sobre Cidades e Mobilidade, um dos eventos que assinalou o 153.º aniversário do Diário de Notícias, são de que os utilizadores passem a usar o carro num serviço ao estilo do Netflix.

Com os próprios particulares a alugarem os carros, em vez de os comprar, ficam eliminados os riscos de se ter um automóvel - despesas de manutenção e desvalorização do preço. "Hoje, ter a propriedade já é considerado pouco eficiente", aponta António Oliveira Martins. Os números são residuais, mas 4% dos utilizadores de renting são já particulares, um valor que tem vindo a crescer nos últimos três anos.

Veículos menos poluentes

Outra das tendências é ter veículos que sejam o menos poluentes possível, quer na frota automóvel quer nos transportes públicos. A Carris está, como confirmou o seu CEO, Tiago Farias, a trocar a frota para ter mais veículos elétricos e a gás.

As próprias cidades vão ter de se preparar para receber mais veículos elétricos, nomeadamente com mais estações de carregamento. Até porque já circulam, por exemplo, scooters e carros elétricos de serviços de partilha. "A transição para veículos com baixas emissões vai acontecer. Os números ainda são pequenos, mas a tendência já está cá", assume António Oliveira Martins. Só na sua empresa, o crescimento entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017 foi de 118% nos elétricos e de 91% nos híbridos plug-in.

Uma mobilidade partilhada

Ter menos carros a circular vai ser possível com o aumento da oferta de serviços partilhados de mobilidade. Falamos de carros, motos e bicicletas, que os utilizadores podem usar nos seus trajetos diários, deixando-os depois disponíveis para outros utilizadores.

"Estas novas fórmulas não resolvem o problema da mobilidade, mas são essenciais para aumentar as soluções, integrando-as com os transportes públicos", reconhece o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. Ou seja, as bicicletas partilhadas podem ser usadas para ir da paragem de autocarro ou da estação de metro até ao destino final (trabalho, escola, centro comercial, casa), desde que entre esses dois pontos exista uma estação para as deixar. Mais móvel, neste momento, em Lisboa, é a opção das scooters partilhadas, já que podem ser estacionadas em qualquer lugar. Tal como acontece com os carros, que também não têm estações fixas.

No futuro, é expectável que cresçam as estações para deixar as bicicletas (geridas pela EMEL) e também o número de empresas de car e scooter sharing, de forma a garantir mais veículos disponíveis, levando a uma diminuição do número de carros no centro das cidades.

Mais oferta de transportes públicos

Para tornar a mobilidade nas cidades mais eficiente é preciso ter transportes públicos mais eficientes, reconhece o presidente executivo da Carris. Tiago Lopes Farias aponta a empresa de transportes de Lisboa como exemplo. Vai ser preciso ter parques de estacionamento junto das estações de transportes de acesso a Lisboa. Melhorar a qualidade dos autocarros, com internet a bordo, torná-los menos poluentes e mais fiáveis (menos atrasos e maior frequência) são outras metas. Também o preço do bilhete tem de ser incentivador para que os utilizadores desistam de usar o carro próprio diariamente.

Um "plano ambicioso" para concretizar nos próximos quatro anos.

Carros autónomos ainda distantes

A verdadeira revolução vai acontecer quando os carros autónomos chegarem ao grande público. Mas a mais disruptiva das inovações na mobilidade só deve chegar lá para 2030.

Grandes marcas já estão a investir nesta tecnologia - como a Google e a Tesla - e, por exemplo, a Alemanha já legalizou a circulação de carros sem condutor, sendo certo que Lisboa até vai receber a partir de outubro testes de veículos autónomos, numa parte da A9. Os testes vão acontecer numa faixa de sete quilómetros entre a Avenida Marginal e o cruzamento da A9/CREL com a A16.

Nesta fase, testam-se cenários, como mudanças das condições climáticas ou veículos em marcha lenta, para limar as arestas necessárias a tornar esta tecnologia 100% segura. É preciso melhorar a resposta a imprevistos ou o reconhecimento de obstáculos a velocidades mais elevadas.

Os carros autónomos garantem, porém, maior segurança, já que cumprem todos os limites de velocidade e sinalização existente. Já circulam veículos com partes da tecnologia que é usada nos carros sem condutor, nomeadamente as travagens automáticas ou a assistência no estacionamento.

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