"Parecia que se estava fora de Portugal"

Tiago Delgado, 38 anos, militar, de Samora Correia

A minha primeira grande surpresa na Expo"98 aconteceu logo à entrada no dia em que fui à exposição: era muito maior do que pensava, com um conjunto de pavilhões e espetáculos disponíveis para ver que não esperava.

Depois de um primeiro passeio pelo recinto fiquei com a certeza que este era uma grande exposição. Vi coisas que não sabia existirem, fiquei surpreendido com algumas das culturas que encontrei nas representações dos países que visitei. Era uma multiculturalidade naquela zona de Lisboa que mostrava um mundo extraordinário.

No dia que passei na Expo - a minha mãe que me acompanhou ainda foi mais duas vezes - o ponto mais negativo acabou por ser a dificuldade em conhecer alguns pavilhões devido às filas enormes, o que acabou por fazer com que não visitasse vários.

Na rua ouvia-se falar vários idiomas, viam-se apresentações incríveis, em vários momentos do dia até parecia que se estava fora de Portugal e não em Lisboa e numa zona que até há algum tempo antes da abertura da exposição era uma área industrial degradada.

Quando no fim do dia sai do recinto fiquei com a certeza que não tinha visto quase nada do que ali estava à disposição do visitante.

E depois do final desta experiência - única para o que era o Portugal da época - fiquei com a certeza que esta Expo iria mudar a forma como o mundo encarava Portugal e até nós ficámos com o ego maior.

A 22 de maio de 1998 abriu portas em Lisboa a Expo'98, com o tema "Os oceanos: um património para o futuro". Até ao dia 30 de setembro, Portugal mostrou ao mundo o resultado da requalificação de uma zona da capital que estava degradada: foi ali, onde hoje é o Parque das Nações, que nasceu uma das melhores exposições mundiais realizadas até à altura. O recinto recebeu mais de dez milhões de visitas e diariamente havia uma novidade para descobrir, fosse nos pavilhões dos países representados, fosse nos locais onde decorriam espetáculos, concertos ou desfiles. Além dos pavilhões temáticos, alguns com filas onde as pessoas esperavam longos minutos para entrar.

São essas experiências que o DN vai recordar diariamente, com testemunhos de quem ali esteve de visita ou fazendo parte dos espetáculos.

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