Pais "pressionam" filhos únicos para não serem padres

A diminuição do número de padres na Europa tem como principal causa a pressão exercida pelos pais sobre os filhos únicos para que mantenham a continuidade da família, conclui um estudo de um investigador da Universidade do Minho.

Paulo Reis Mourão avaliou a evolução das vocações religiosas nos países europeus nos últimos 50 anos, um estudo pioneiro publicado na "Review of Religious Research", dos Estados Unidos da América.

Para aquele investigador, o fator que mais pesa na diminuição do número de padres "é as famílias com menos filhos, que são cada vez mais, tenderem a pressioná-los para optarem por uma carreira laica, de forma a manterem a continuidade da família".

O estudo conclui que, a par do crescimento económico sentido na maioria dos países, houve uma quebra no rácio de sacerdotes por população católica.

Nos países mais católicos (Portugal, Itália, Espanha, Irlanda) confirmou-se que as oscilações se deveram a mudanças na estrutura familiar (poucos filhos, poucos casamentos e muitos divórcio), nas ondas migratórias e no crescimento da urbanização.

O investigador destaca ainda o chamado "arrefecimento do fervor religioso", embora sublinhe que desde 1990 o número de vocações estabilizou, ficando ainda abaixo dos valores de 1960/70 mas sendo "mais conscientes".

Paulo Reis Mourão admite que este estudo pode contribuir para uma reflexão interna do Vaticano, de forma a aumentar o número de vocações sacerdotais.

"É preciso um papel mais ativo e uma maior consciencialização e dinâmica paroquial para se inverter esta tendência. A questão das vocações é essencial na Igreja Católica e o seu desenvolvimento é influenciado pelas dimensões socioeconómicas", sublinhou.

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