Pais defendem separação entre gestãoa dministrativa e pedagógica

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, defendeu hoje que, no futuro, deve haver uma separação entre a gestão administrativa e a pedagógica no âmbito da criação dos novos agrupamentos escolares.

Albino Almeida, que falava à agência Lusa na sequência do anúncio, segunda-feira, pelo Governo, do processo de agregação de escolas, criando 18 novos agrupamentos escolares, quase todos com mais de dois mil alunos, disse que a preocupação da CONFAP são os alunos, as suas necessidades e eficiências.

"Desde 2010, quando esta política começou que a CONFAP não viu nela nenhuma vantagem, foi-nos dada uma 'boa razão', que é a razão da articulação e da sequencialidade, mas logo percebemos, face à criação do ensino secundário obrigatório a partir deste ano, que (...) a sequencialidade não estaria garantida", disse.

Na opinião do presidente da CONFAP, as novas unidades agregadas "causam uma grande incapacidade" aos diretores das escolas no que diz respeito à gestão da maior parte dos estabelecimentos que passam a fazer parte destes agrupamentos.

"A maior parte dos estabelecimentos ficam mais longe da sede do agrupamento com a agregação e, por outro lado, leva a uma diminuição também da participação dos pais", disse.

Albino Almeida considerou que o "modelo de gestão não é compatível com as agregações e defendeu que no futuro tem de se perceber se a gestão administrativa e pedagógica deve ser feita pela mesma pessoa.

O responsável defendeu também que os pais devem trabalhar em rede, devem ser envolvidos, ouvidos e escutados em matérias pedagógicas.

Para debater estas e outras questões, a CONFAP e a Federação Nacional de Educação (FNE) vão realizar no sábado, no Porto, uma convenção nacional com o tema "Por uma educação pública de qualidade para todos. Não a mais cortes na educação".

"Na agenda de trabalhos vamos também incluir o papel e a valorização dos professores diretores de turma a partir do 2.º ciclo e a valorização dos coordenadores de escola no 1.º ciclo", referiu.

Em debate no sábado vai estar também uma eventual diminuição de quadros dirigentes e docentes bem como a diminuição de alunos por turma, por força do "fenómeno da emigração" e a baixa natalidade.

"Vamos trabalhar proactivamente para uma gestão eficiente dos novos agrupamentos escolares e uma gestão que fortaleça enquanto unidade de gestão pedagógica mais do que unidades administrativas que é o que pelas passaram a ser", concluiu.

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