Pais de filhos homossexuais pedem ajuda médica

Quando os pais descobrem que os filhos são homossexuais procuram de imediato os médicos para os ajudar.

Muitos pedem aos clínicos para curarem os filhos, explica Daniel Sampaio. "Os pedidos de consulta vêm por parte dos pais. São eles que têm mais dificuldade em aceitar e pedem para o médico curar os filhos, principalmente quando eles são jovens", explica o clínico.

Uma situação que só acontece porque os pais estão mal esclarecidos sobre a homossexualidade, acrescenta, por seu lado, Margarida Lima de Faria, da AMPLOS - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual.

Estes temas serão debatidos hoje num encontro promovido pelos alunos de medicina das universidades de Lisboa, em que Daniel Sampaio e Margarida Lima de Faria falarão da Homossexualidade e Discriminação na Infância e Adolescência.

"Os pais carecem muito de informação e para eles a opinião médica é muito importante", refere Margarida Lima de Faria, da AMPLOS. Por isso, a fundadora da associação defende que os médicos, como os pediatras, devem abordar estes temas desde cedo.

É a falta de conhecimento sobre o tema que provoca "grandes choques" aos pais quando são confrontados com a homossexualidade, explica Margarida Lima de Faria. Acrescentando que os principais receios têm a ver com as doenças que se podem transmitir sexualmente e com o facto de não saberem dar conselhos.

"Assim que os médicos dizem aos pais que não é uma doença e que não tem de ter cura ficam logo mais descansados", refere a dirigente da AMPLOS, que aproveita ainda para recordar que faz amanhã 20 anos da retirada da homossexualidade da lista de doenças mentais.

A maior dificuldade para os jovens continua a ser a aceitação dos pais. Um estudo do 2009 realizado pela rede ex aequo, associação de jovens lésbicas e gays, mostra que só 17,6% dos pais aceitam bem a orientação sexual dos filhos. O estudo contou com a participação de 614 jovens.

O pensamento é quase sempre o mesmo, refere Margarida Lima de Faria. "Os pais põem-se no lugar de porque é que ele me foi fazer isto", exemplifica. Preferindo até pensar que pode ser só uma fase experimental e não uma escolha definitiva, admite a dirigente.

Uma ideia que pode até ser verdadeira, conforme sublinha o psiquiatra Daniel Sampaio.

O médico garante que "é natural que um jovem de 13, 14 ou 15 anos tenha dúvidas em relação à sua orientação, sem que isso signifique que são homossexuais".

Por considerar que os "jovens devem ser ouvidos", defende a importância de consciencializar os alunos de medicina para o seu papel neste campo.

"É importante consciencializar os futuros profissionais de saúde para que sejam agentes activos contra a discriminação", diz o especialista. Até porque, este é um tema cada vez mais presente na sociedade portuguesa.

O debate de hoje, que conta ainda com a presença de Gonçalo Quinaz da rede ex aequo, e que decorre no auditório da Faculdade de Medicina de Lisboa, pretende sensibilizar os estudantes para a forma como devem abordar o tema da homossexualidade.

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