Pacheco Pereira convidado a sair do PSD por ir à campanha de Marisa

O deputado do PSD Duarte Marques pede a ex-líder parlamentar para abandonar o partido. Pacheco diz que "para já" não apoia ninguém, mas participará na campanha da bloquista

Como a frase de Sá de Miranda, no seu blogue, há muito que no PSD há quem se espante com as declarações de Pacheco Pereira. Desta vez foi o deputado Duarte Marques a convidar o ex-líder parlamentar social-democrata a sair, depois de se saber que estaria numa ação de campanha de Marisa Matias. A direção do partido também não morre de amores pelo historiador, mas a expulsão está fora de hipótese.

Tudo começou quando Pacheco Pereira anunciou no seu blogue, "Abrupto": "Antes que a comunicação social me torne "propriedade" de qualquer candidatura presidencial, informo que tenho já prevista a participação em debates e colóquios organizados pelas candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias." Ontem, em entrevista à Antena 1, disse que "para já" não apoia qualquer candidato. Apesar disso, o deputado do PSD Duarte Marques convidou-o a sair do partido, criticando-o por apoiar mais a esquerda do que o PSD. Ao DN, Duarte Marques diz que "jamais defenderia a expulsão de Pacheco Pereira por delito de opinião porque isso é o que fazem os partidos que ele agora apoia".

Pacheco Pereira passa a vida a criticar o PSD e muitas vezes injustamente

O deputado social-democrata é defensor de que os militantes do PSD critiquem o partido, mas diz que "Pacheco Pereira passa a vida a criticar o PSD e muitas vezes injustamente". E aconselha-o por isso a sair pelo próprio pé: "Às vezes, quando a raiva nos colhe a inteligência e a visão da realidade, devemos ser os primeiros a perceber. Ele devia sair."

Antes de falar com o DN, o deputado, em declarações à Sic Notícias, já tinha pedido a Pacheco Pereira para sair, dizendo que o antigo dirigente do PSD "revelou uma raiva assustadora perante o PSD (...) a única coerência que tem é ser contra o PSD e a favor da esquerda".

A ira de Duarte Marques manifestou-se depois de ser revelado que o historiador será orador no Fórum de Ideias para Um País Mais Justo e Solidário, uma ação de pré-campanha da candidatura de Marisa Matias, que se realizará a 19 de dezembro no MUDE (Museu do Design), em Lisboa.

A expulsão parece fora de hipótese. Não é normal um militante ser expulso por criticar o partido. Aliás, em 2011, no congresso em que foi aprovada a chamada "lei da rolha", o próprio líder do partido, Pedro Passos Coelho, tudo fez para que essa norma fosse revogada.

Isto apesar de há muito a direção de Passos estar na mira de Pacheco. De tal forma que o atual presidente do PSD, logo em 2011, antes das eleições, lembrou que o historiador era "a única personalidade que sendo deputado faz campanha semanal contra o PSD".

De acordo com os estatutos, constituem deveres dos militantes do PSD "ser leal ao programa, aos estatutos e às diretrizes do partido, bem como aos seus regulamentos", e "em geral reforçar a coesão (...) do partido." Tudo isto teria de ser discutido no conselho de jurisdição do PSD, que é presidido pelo ex-ministro Calvão da Silva.

Um dos motivos que podem levar à expulsão é apoiar uma candidatura contra o partido. No entanto, como se trata de presidenciais, não se aplica essa norma. Partiria sempre de uma análise do conselho de jurisdição, mas a base para expulsar Pacheco seria pouca. É que os estatutos, apesar de disciplinarem, consagram a pluralidade de opinião.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG