Os Verdes pretendem confrontar ministra do Ambiente na Assembleia da República

O partido Os Verdes anunciou hoje que pretende confrontar a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, "em breve", na Assembleia da República, sobre a "proposta da Unesco para parar as obras da barragem de Foz Tua".

"A ministra do Ambiente, que se tem mantido em silêncio total sobre este assunto, vai ser brevemente confrontada por Os Verdes, em sede parlamentar", afirma, em comunicado, o partido.

No comunicado, os Verdes dizem "regozijar-se com o teor da proposta da Unesco relativamente à barragem de Foz Tua e ao Alto Douro Vinhateiro, que vai ser debatida na próxima reunião do Comité Mundial", a ocorrer em junho, em S. Petersburgo, na Rússia.

A edição de hoje do jornal Público avança que a Unesco se prepara para mandar parar as obras da barragem de Foz Tua por terem "um impacto irreversível e ameaçar os valores" que estiveram na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Humanidade, estando em análise uma missão conjunta de estudo à situação.

Em causa está o projeto da barragem de Foz Tua, já em construção, que nunca terá sido mencionado no dossiê de candidatura, apesar de estar já previsto no Plano Energético Nacional de 1989 e no Plano da Bacia Hidrográfica do Douro desde 1999.

No comunicado, os ambientalistas referem ainda que querem ouvir Assunção Cristas sobre a avaliação de impacto das linhas de alta tensão Foz Tua-Armamar, bem como sobre os impactos do projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura.

As linhas de alta tensão e a central elétrica encontram-se em pleno Património Mundial, sendo que esta última está a ser reformulada pelo arquiteto Souto Moura.

As alterações ao projeto vão custar à EDP dois milhões de euros e é delas que quer saber também a Unesco, que irá exigir a Portugal que remeta ao Comité do Património Mundial um relatório sobre a revisão ou o reexame do projeto" e também "sobre o estado de conservação" da área classificada.

O partido ecologista lembra que o teor da proposta da Unesco, "nomeadamente a paragem imediata das obras da Barragem até uma posterior avaliação dos impactos da mesma sobre o Alto Douro Vinhateiro, vem ao encontro da posição que Os Verdes sempre defenderam".

Esta mesma posição, acrescenta o partido, foi expressa, "no dia 02 de Maio, na reunião decorrida com a responsável da Missão do Douro e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, no Porto, e em várias iniciativas públicas de protesto".

Os Verdes consideram que, "relativamente a este processo de construção da Barragem de Foz Tua, o Estado português fica manchado por uma atitude de deslealdade com a Unesco, tal como, aliás, esta organização internacional expressa no seu relatório".

"Esta deslealdade deve-se ao facto dos sucessivos governos, PS e agora PSD/CDS, terem sempre omitido a construção e os impactos desta barragem e das infraestruturas anexas, as linhas de alta tensão, à Unesco", conclui.

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