Ordem processa Vital Dent por enganar utentes

A Ordem dos Médicos Dentistas vai processar as clínicas 'Vital Dent' por publicitarem uma especialidade (implantologia) que "não existe" e atender os utentes por um comercial sem qualquer formação clínica.

Em declarações à Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, afirmou ter tido conhecimento desta situação através de várias queixas de colegas.

Segundo o bastonário, são "recorrentes as diligencias disciplinares de inquérito aos dirigentes da Vital Dent", embora neste caso tenha havido um agravar da situação.

A OMD detetou duas situações ilegais: por um lado, está a promover em folhetos comerciais serviços de médicos dentistas "especialistas em implantologia", que não existem, e, por outro, está a introduzir nas suas clínicas a figura comercial do chamado "assessor odontológico".

Relativamente ao "especialista em implantologia", a OMD afirma tratar-se de "publicidade enganosa e errónea", suscetível de criar dúvidas aos utentes, porque não existe na medicina dentária a especialidade ou o título de especialista em implantologia.

Em Portugal existem apenas duas especialidades na medicina dentária, a Ortodontia e a Cirurgia Oral e é "totalmente proibida a referência a especialidades inexistentes no universo da medicina dentária", porque "engana o público e é concorrência desleal".

"É intolerável. As pessoas ficam convencidas de que estes têm uma capacitação fora do normal" para a implantologia e "isto é um risco", afirmou o bastonário.

Quanto "assessor odontológico", a OMD considera que a rede 'Vital Dent' "está a violar a relação entre o doente e o médico dentista", ao introduzir nas suas clínicas esta figura.

"O Conselho Deontológico e de Disciplina da OMD analisou esta situação e realizou várias diligências, incluindo entrevistas a diretores clínicos da rede Vital Dent da zona do Grande Porto, onde a situação foi detetada".

A Ordem concluiu que o "assessor odontológico" não é médico dentista, nem médico estomatologista, mas induz determinada intervenção ou tratamento.

O "assessor odontológico" procede ao atendimento dos utentes, solicita o preenchimento de um formulário com informação clínica, encaminha para realização de exame radiológico prévio, aconselha o tipo de tratamento dentário a realizar, elabora o respetivo orçamento e escolhe o médico dentista, tendo pleno acesso à ficha clínica dos doentes, uma situação que viola claramente a legislação em vigor, denuncia a OMD.

Para Orlando Monteiro da Silva, há aqui "uma barreira de risco para as pessoas", ao induzir a "aquisição de cuidados de saúde de forma artificial", já que só o "dentista é que pode avaliar se a pessoa está indicada para determinado tratamento".

Na opinião do bastonário, o objetivo das clínicas com a introdução desta figura é "obter dividendos, amarrando por vezes as pessoas a créditos para fazerem esse tratamento estabelecido por um comercial".

A OMD já apresentou uma queixa contra a rede 'Vital Dent' na Entidade Reguladora da Saúde e vai ainda recorrer aos tribunais contra os proprietários deste grupo.

A agência Lusa contactou as clínicas Vital Dent para uma reação à posição da OMD, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG