Ordem dos Enfermeiros quer evitar desperdícios na Saúde

Bastonária já pediu reunião com o ministro da Saúde. Quer um melhor aproveitamento dos recursos existentes e a separação dos sectores público e privado.

A ordem dos Enfermeiros solicitou esta terça-feira uma reunião urgente ao ministro da Saúde para lhe apresentar as preocupações e propostas para o sector, nomeadamente um melhor aproveitamento dos recursos existentes e a separação dos sectores público e privado. Em declarações à Lusa, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) explicou que num quadro de sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde e do compromisso assumido com a troika é possível combater desperdícios utilizando todos os recursos e os profissionais existentes.

"Muitos recursos existentes não são aproveitados. É possível combater desperdícios neste quadro. Sem isto corre-se o risco de pôr em causa a garantia para os cidadãos daquilo que é o Serviço Nacional de Saúde", afirmou. Para tal, defende a criação de um plano estratégico de médio e longo prazo que clarifique as necessidades em cuidados de saúde, utilize plenamente os recursos públicos disponíveis e aproveite cabalmente as competências de todos os profissionais.

Relativamente ao melhor aproveitamento de recursos, a OE sugere, a título de exemplo, a melhoria das taxas de ocupação, a utilização plena dos Blocos Operatórios e a escolha criteriosa dos materiais clínicas no ajuste do custo com a eficácia. A separação dos sectores público e privado e a aplicação de uma política de exclusividade dos profissionais com actividade no sector público é outra das medidas preconizadas pela Ordem, que considera "a permissividade" nesta matéria um factor de acrescido de ineficiência e de custos.

"É possível e desejável a separação entre o sector público e o privado. O contrário conduz, como a história já tem mostrado, a custos acrescidos. Deverá ser garantido que quem trabalha no serviço público não trabalha no privado", afirmou Maria Augusta de Sousa. Na opinião da responsável, são os profissionais que determinam o que é necessário para os cuidados de saúde. "Estar de manhã no público e à tarde no privado conduz a uma distorção, a gastos e até a uma utilização incorrecta dos serviços públicos", acrescentou a bastonária.

Os cuidados de proximidade também merecem a preocupação da OE, que considera que "respostas mais próximas evitam recursos a hospitais e urgências", pelo que é "obrigatório repensar a oferta de cuidados e a reorganização das equipas". Para tal, a Ordem defende uma maior autonomia de gestão dos Agrupamentos de Centros de Saúde. A regulamentação do Modelo de Desenvolvimento Profissional para enfermeiros e a reorganização da oferta de cuidados assente em sistemas de informação interoperáveis e na entrada em funcionamento do Registo de Saúde Electrónico são outros temas que estão a merecer a atenção da OE.

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