Ordem da Liberdade para José Augusto Rocha, advogado de presos políticos

Distinção teve origem numa petição assinada por dezenas de ex-presos políticos, que José Augusto Rocha defendeu no Tribunal Plenário durante o Estado Novo.

O advogado José Augusto Rocha, de 79 anos, vai ser condecorado, na terça-feira, pelo Presidente da República com a Ordem da Liberdade no Grau de Grande Oficial, no próximo dia 5 de dezembro.

Esta distinção foi submetida inicialmente ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que "revendo-se inteiramente na fundamentação", deu-lhe imediato seguimento protocolar, na sequência de uma petição assinada por dezenas de ex-presos políticos, que José Augusto Rocha defendeu no Tribunal Plenário durante o Estado Novo.

Natural de Viseu, José Augusto Rocha dedicou a sua vida à causa da liberdade, da justiça e da defesa dos direitos fundamentais. Em 2008 chegou a presidir à Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados.

Dirigiu as Associação Académica de Coimbra em 1962, ano em que foi expulso de todas as escolas nacionais por dois anos e preso no Forte de Caxias sob a acusação de ter realizado o 1.º Encontro Nacional de Estudantes.
Em 2008, José Augusto Rocha foi presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados.

Ganharia notoriedade e relevo ao defender grande número de presos políticos, no Tribunal Plenário Criminal de Lisboa, trabalhando muitas vezes sem receber. O advogado começou por defender presos políticos do PCP mas, com o aparecimento dos movimentos de extrema-esquerda, estendeu a sua ação.

Entre esses oposicionistas ao regime do Estado Novo, que defendeu, contam-se os nomes de Victor Ramalho, Francisco Canais Rocha, João Pulido Valente, Diana Andringa, Fernando Rosas, Maria José Morgado, Paula Fonseca, Isabel Patrocínio e Saldanha Sanches.

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